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Mostrando postagens de dezembro, 2018
Derretida neve do meu coração. Formou-se um manancial de profunda emoção. Depressão foi levada. De mim arrancada uma leviana mágoa. Tristeza escorrida nas lágrimas a gotejar os mares mais distantes. Pesquei Traíras, mas mergulhei junto aos corais com pequenos e coloridos peixes. Solitário e cansado energizei-me nas quedas brutas e doces de uma cachoeira.  Deixei que a água caísse sobre mim sem pressa de ser feliz. Vi afogarem-se os sádicos dos neurônios.  Uma pele renovada formou-se e a alegria choveu sobre mim.  
De um néctar, um futuro. Terremoto a evadir-se das profundezas do eco. Migalhas e grãos de grandes suspiros nas vestes solares. Tal brilho encantava a invasão de um grande esplendor. Pelas colunas da Catedral uma criança sonhava. Seus anjos de línguas celestes confabulavam melodia da Alma. Do chão da raiz do Planeta vida, broto de fruto amor acabara de nascer.
Mãos nos pés. Um giro de volta ao Mundo com a cabeça vazante. Dedos escorridos envoltos em primazia. Desordem sentimental nos arcos da aproximação. Confusa conduta de apaixonados remédios. Marco da tragédia anunciada aos ventos vazios. Pureza de fuga a poluir-se com vendavais de orgulho.   
Nestes cachos perfumados de encaracolados brilhos. Me faço e me acabo de tanta alegria. Batom gostoso de comer, sabor de boca. As palavras dançavam nos lábios dos teus beijos. Bochecha rosada encabulada de se dar. Amante pijama de cama saudável. Abraça-me forte com nuvens e raios.
Uma onda gigante atravessou o Mar e invadiu a minha emoção. Abraçou as montanhas e deslizou por sobre a floresta fechada. Estagnou-me de um medo sombrio e manso. Abri os braços da fé e respirei bem fundo com os olhos fechados. Amei com força maior cada milésimo de segundo daquele momento. Não sabia ao certo se tinha vivido intensamente tudo o que vivi. Inseguro perguntei-me se havia amado como um louco. Confrontei-me a cerca de ter perdoado ou pedido perdão. Indaguei-me se fui um bom filho, um bom Marido ou um bom Pai. Nada daquilo importava mais. Senti o frio congelante se aproximar com a onda violenta. Quando abri os olhos, vi o Sol que estava lá fora. Lindo, brando e convidativo. Levantei-me e indo de encontro á ele, agradeci pelo novo dia. Foi assustador, mas entendi que acabava de receber uma nova oportunidade de responder á todas as perguntas que fiz a mim mesmo.
Herdei profundas memórias. Meu canto, meu Sol de Inverno. Falácia de boca dura. Cílios que piscam retratos. Cantil rachado de peito abatido. Mancha de bebida envelhecida na mesa. Sorrisos chorosos a sussurrar uma prece. Nem a morte selou a dor de ir.  
Neste novo dia uma fonte emergiu. Meu crânio expandia, sonhava e debatia. Uma fenda espiritual se abriu revelando seus maiores segredos. Já não sei mais o que é real ou imaginário. Ando distante a percorrer um novo propósito.
No encanto de sua magia surgiu a minha alegria. Vagava perdida a magnífica esperança. Atalhos da inconsciência a trouxeram de volta. Sonhos nublados deram meia volta. Meu corpo a levitar pelos campos da paz. Sua canção angelical soprava os pássaros a revoar. Caminhavam as árvores pelo bem que me faz. Adentrou-me um frescor e Eucalipto resfriou o paladar da minha poesia.
Te encontrei no meu Mundo. Ressurgia naquele momento uma vontade louca de viver outra vez. Quantos Verões iluminaram a Primavera do nosso amor. Entre idas e vindas tornei-me maduro e compreensível. Sensíveis e mais doces foram as minhas ações. Adorei-a como uma deusa. Mais floridos foram os meus dias ao teu lado.
De volta ao Lar. Ausentei-me para um descanso de Alma. Separei corpo da Alma e a Alma do espírito.  Atingi profundidade na reciclagem do amor. Refleti sob os reflexos do que enxergava a minha Lua Nova. Ela encheu-se dos meus Apocalípticos fardos de emoção. Ah, meu coração! Como inflama de Paixão. Eu me amo de verdade. Amo a minha Arte.
As cortinas se abriram. Um novo olhar, uma nova sombra. Era expressiva a interiorização da melancolia. Atuavas como se fosse o eco das cavernas do peito. Dava a cara a tapa para os olhares atentos do público. Vidrados, hipnotizados e envoltos pela Obra apresentada. Generosamente dividindo sentimentos e verdades. Da vida para os palcos, uma hegemonia artística divinizada.