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Mostrando postagens de março, 2018
Amor que alimenta a paixão. Você nasceu para mim. Eu nasci para você. Nunca antes na história da humanidade houve amor como o nosso. Tua graça me inspira vida. Valeu a pena esperar. Amo-te como nunca antes amei outra mulher. Estou de corpo, alma e coração aberto. Adentre-me e faça jus ao que sentes por mim. Vou ama-la incondicionalmente. Ainda que não haja mais respiração em meu corpo lúcido.
Frente ao inverso. Propago nebulosidade do finito sentir. Deslizo pelos segredos do além. Persigo varandas arrebatadoras de sonhos. Converso com Deus e busco respostas invisíveis. O cair me fez generoso de entendimento. Não preciso enxergar com os olhos humanos o que sinto na alma. Sou jovem e belo. Ei de conquistar alegremente cada dádiva a mim concebida. Sou homem, porém, espírito.
Tantas mentiras. Por onde andas o calor do teu coração? Como fora varrido tão depressa no ventar congelante a esfriar o sentimento. Batias sem dó no carinho que semeei em nosso amor. Causou-me tristeza e lamento seu tom agressivo. Por dias não ouço mais a sua serenidade. Não ti deitas mais ao lado do meu corpo fervoroso. Sempre com um olhar a viajar pelo horizonte através das janelas. Cansastes da minha dedicação. Rispidez e feição de furor são representadas em cada diálogo quase não dito. És livre para ir se é o que queres. Só não deixe que morras o que há de mais belo em ti. A sua luz. Sou um sobrevivente. Vivo para gerar vida em quem assim desejar.   
Leve-me para outro lugar. Um lugar onde haja esperança, justiça e afeto. Um lugar onde todas as coisas resumem-se em amor e paz de espírito. Preciso encontrar este eixo reversível. Outrora a resiliência fatigou dando voz a empatia dos meus semelhantes. Ando tristonho pela caatinga. Escondo-me do sol que arde, mas ainda encontro-me abaixo do céu sem nuvens. Quero um lugar onde haja sorrisos felizes e água clara para beber. Leve-me para outro lugar. Um lugar cheio de aventuras e coisas palpáveis.  
Malabares no apogeu da síntese. Traços leves contorcidos envelopados em brancura espumosa. Oprimidos bendiziam suas preces. Cascalhos espinhos mostravam o caminho. Alabastro compunha semelhança nas cores. Um véu sombreava a tristeza da ordem gofada pelos Lírios. Lunar envaideceu-se ventilando de luz a angústia do grande Oceano. Flambado de puro gozo suspirou a alma do mar aberto. Fazendo surgir uma enorme mistura de cores e profundos mistérios.
Levito carente no ausente do tudo. Relógio do tempo que rasga o mundo. Meu ouro mareja as estrelas dos olhares das crianças. Terreno acidentado no céu da boca celeste. Simultâneo resgate do anel de Saturno em turno matinal. Ao sabor das cerejas gagueja a represa das sensações. Um átomo de convicções submissas em amatório sagrado. Monumento litoral passageiro da emoção mais íntima que se tem.
Se pensares no afluente do teu silêncio. Saberás que sucintamente adormece a tua fala. Uma fala sem voz numa fuga desesperada. Sonhando por acordar no âmago do seu próprio eu. Sapateando em um fundo falso de falso temperamento. Ejaculando paradigmas do iluminado desejo de amar novamente. Trovejando palavras invisíveis geradas em vastas decepções. Sem sentido algum, culpas o teu próprio reflexo frente ao espelho da sua história. Esvaem-se as glórias dos teus feitos. Tortura-se repetidamente a congruência da poesia que sentes. Não deixe que a sua fala se cale. Ceda lugar ao poeticamente correto da voz que canta no seu silêncio. E seja muito feliz.
Planícies devastadas por pétalas de sensibilidade. Maravilhas entravam na porta dos pensamentos sem bater. Lilás e amarelo desciam das árvores e pousavam nas trilhas. Outono amou Primavera planando nos ventos quentes e desvirginados.  Adentrei no Sol daquela linda manhã. Expandido borbulhei loucuras de fogo na poesia da face. Minhas mãos tremiam seguras de não saber por onde tocar. Fagulhas de orvalhos chuviscos em brisa deitaram-se sobre o dia. As células em gestos majestosos enrugaram-se de efeito arrepio. Por onde passaram passarinhos verdes a reclinarem-se cumprimentando o brilho da verdade. Damascos sementes corriam nos caules dos roseirais á beira de riacho doce. Vinhedo em taças cristais servidos á mesa de casarões. Exausto por tanta beleza compus tal poema aos bons corações.
Lembro dos dias da infância. Domingos de Sol quente. Passeios com a família. O namoro dos meus Pais na pracinha enquanto eu brincava. Á noitinha com a minha mãe tomando á fresca. Saudades dos piqueniques na Quinta da Boa vista. Restaurantes e Parques eram excelentes programas. Nos Natais abraçávamos-nos uns aos outros e trocávamos presentes. Não tínhamos muito, mas tínhamos amor e felicidade. Amo minha família. Amo a infância que tive. Eram dias maravilhosos da minha infância.   
Algo mudou em mim. Fetalmente a flutuar no ventre da Mãe vida. Formalmente seguindo o fluxo da formação. Minúsculo ser envolto de amor, mergulhado em água aquecida. Alimentado diariamente por um cordão umbilical. Acariciado pelas mãos macias de uma gestante ansiosa. Meses seguintes, um túnel de luz sugava-me para seus braços. Com frio e indefeso, uma manta e um cheiro acalmaram meu choro. Diante dos olhos encobertos, um rosto informe causava estranheza.  Aquela voz serena e feliz acalentava meu tremor, e assim, adormecido fiquei. Alimentado pelo manancial das mamas, cresci forte e amado. Esse é um amor descrito com palavras, mas que não pode ser alcançado, pois é, e sempre será incondicional. 
Conflito sexual. Prazer por prazer. Amor pra valer. Um jogo de carnes selvagens famintas por felicidade. Nada a dizer se não devaneios eróticos. Puxões de cabelo, tapas e mordidas. Nosso quarto em qualquer lugar. Mistura a vontade de uma trepada gostosa com um fixo olhar na alma. Amor do nosso jeito. Do jeito que a gente gosta. Grito de liberdade e sorriso aparente. Corpo leve mente sã. Vamos pra mais uma?
Bela Dona. Flor negra de enfeite da terra dos mortos. Noite horrenda de esmaltes sangrentos. Pingava luxúria das unhas carnívoras dos Lobos da Madrugada. Meia noite gemidos e gritos debaixo da terra. A mão subia da sepultura e nela um Olho se abria. Olhava á procura daqueles que pensam ter vida. A Lei procurava punir os mais santos. Não havia escapatória para os condenados. Suas almas eram sugadas pelo fogo e lançadas em seu próprio inferno interior. Alguns rasgavam suas peles e arrancavam seus olhos. Vagar no submundo da condenação sem os olhos é pior do que se possa imaginar. Na pirâmide da Cidade mais rica, abaixo do solo, um novo olho se abriu. E todos viram a redenção de uma nova era formada por morte e destruição. Salve-se quem puder. A grande Guerra começou. Duas Ordens se erguem. A Ordem Negra e a Ordem da Luz. Escolha seu lado. Um deles pode estar dentro de você.  
Ás vezes percebo o ritmo dos córregos. Não me custa cheirar o mato. Já estou aqui. Fingir alegria me cansa. Falsos amigos curam minha ingenuidade.  Prefiro ninhos mais altos. Meu primeiro voo precisa ser perfeito. O chão pode ser a morte ou um ensinamento. No fim tudo o que me resta é abrir as asas e voar. Foi pra isso que nasci.
Afonso dedilhava seu choro sem derramar uma só gota de lágrima. Solitário na grande mansão tocava Piano como se fosse a última vez. Derramou sentimento e alma em notas dramáticas e sombrias. Sua voz estava nos dedos e nos movimentos das mãos. Elas iam de um lado a outro. Horas sutilmente. Horas de maneira expressiva. Afonso não podia brincar com o tempo. O relógio de sua parede o colocava contra o seu próprio destino. Seu corpo já envelhecido, sofria de um mal físico. Afonso não queria saber do mundo ou da dor. Ele só queria escoar sua vida de uma maneira nobre, fazendo o que mais amava. Afonso passou seus últimos dias de vida sentado de frente ao seu velho Piano. Tocou grandes obras. Ele compôs verdades sobre sua solidão. Teclou as últimas notas do seu sentimento sem semitonar. E o mais belo de tudo. Afonso deu seu último suspiro com um leve sorriso em seu rosto. Debruçado em seu velho amigo, confiou-lhe sua partida. A morte emotiva, aplaudiu a inici...
Arde meu peito. Desfalece minha inocência. Palidez percorre a face do dia mal. Sozinho a mergulhar em piscina natural. Uma lagoa azul transcorrida na hídrica de maus presságios. Ofegante transpiração gotejava das grutas da irritabilidade. Mergulho afogou-se nas crendices imaginárias. Debaixo d`água vidro ocular perdeu vida. Bolhas de oxigênio subiam á margem como quem clama por socorro. Zumbido preencheu audição. Batida parou coração.  
Lábios dormentes, veneno da mente. Possuída fulminou encaixe de quadris. Bocejo vulcânico ao pé do ouvido. Mel no queixo dedo á prova. Língua adocicada massageia mamilos. Doentio romance. Avante infanto paradoxo refém de si mesmo. 
Por trás dos muros. Por trás dos muros tudo renova-se. Frases cantadas no auditório das ruas de pedra. Por trás dos muros tudo se ouve. Olhar de melancolia sussurrava eloquência ao vazio das esquinas da própria vastidão. Por trás dos muros um mundo de novas conquistas. Atravesse-o e talvez encontre uma boa dose de desafio. Escale seus muros mais altos. Do outro lado talvez haja vida, talvez haja vigor. Talvez haja ânimo para uma nova etapa de felicidade. Por trás dos muros uma flor que se abre.
Por vezes apoiei-me em ti. Minha força era sustentada no que dizias sentir por mim. Palavras nadavam contra a correnteza das tuas ações. Usou-me o quanto pôde.  Iludiu a minha confiança. Hoje, não preciso mais de ti. Já posso caminhar sozinho em busca da minha própria felicidade.
Tu encorajavas-me com a tua presença. Brincávamos todo fim de tarde. A cada novo dia ensinava-me coisas novas. Protegia-me dos valentões no tempo de escola. Fazia-me esconder tuas travessuras da Mamãe. Inspirava-me para namoros inocentes. Tornou minha infância mais colorida. Quando jovem fez escolhas infelizes. Afundou-se numa areia movediça. Eu tive a oportunidade de ajudá-lo, mas não tinha maturidade para tal feito. Seus últimos momentos foram diante de mim. Nossas conversas e sorrisos. Tão de repente, partias sem dizer adeus. Sinto sua falta. Meu irmão, tenha um caminho de paz e de luz. Pra sempre estará em minhas lembranças. 
Estrelas despencavam cadentes. Todas acesas e ariscas. Rajadas de luzes faíscas. Nunca vi tanto brilho rasgar uma noite.
Brisa madrugada. Janela suava gotículas do Tempo. Passado e Futuro no Presente. Cortinas desciam vestindo o País. Névoa rosada brindava jardim dançarino. Paisagem lunar orava a noite das insônias. Garganta inflamava paixões pelo diafragma do coração. Veias pulsavam rastros de emoção. Donzela Jasmim bailarina da felicidade.
Quantas mortes matadas. Quantas mortes morridas. Mais mortes matadas que mortes morridas. Tanta gente descrente. Tanta gente sofrida. Massacre do corpo sacrifício da alma. Choram Pais, choram filhos. Chora a vida. A espera da morte morrida morreu de morte matada. Sobrevive o medo da perda de quem tanto amamos. Que haja o fim das mortes matadas. Que haja vida nas mortes morridas. Que haja amor na humanidade.
Como fora colhida sua alegria? Dizeres confortáveis, preciosos dilemas. Caneta, papel e o som baixinho. Meia luz, Whisky com gelo e cigarros. Abaju iluminou frases da intimidade. O Drama escorria da caneta para a folha e da folha para as lembranças. Era a depressão fazendo pressão na Arte de sentir. Reluzia desejos nada aparentes na soma da sua conjuntura.  Devaneios pendurados nos precipícios mais sórdidos da sua beleza. A escrita mediou nossa trama. O vestido longo e vermelho faziam contraste com as unhas alongadas. Entre os dedos a piteira com fino cigarro levado a boca. Seu batom marcava-os um a um e sopravas fumaças circulares. Cruzou as pernas. A fenda do vestido apresentava-me belas curvas em pele de pêssego. Degustou o Vermute importado e observou-me com graça. Olhar indiscreto e muito convidativo. Desfilou em minha direção com passos delicados e sensuais. Abraçou-me com perfume de deuses e seus cabelos negros escorreram pelos meus ombros....
Violino chorou nos braços de seu amor. No colo dos seus acordes fora interrompido mais uma história. Sentado ao chão morria diante dos olhos, sua amada. Olhos nos olhos lamento formou-se. Era um momento fraterno de dor. Afinado sentimento desafinou em desespero. Violino chorou desconsolado. Ouviu-se ao longe o choro do Violino que ama.
Uma força abrupta dizimou algoz do temor. Denso patrimônio lavrado na indulgência intelectual. Paradoxo literário no alvorecer frenesi. Balbúrdia alterou roteiro de bem aventurança. Peregrinos lamentavam suas condolências. Pairou sobre os tempos uma nova era.
Sinta o frescor dos ares. Entre na sintonia da sinfonia e regozije-se numa ternura. Orquestra hipnótica, platéia envolvida. Supérfluo dogmas dilacerados nas mais altas e refinadas canções. Soneto vestido por olhos ouvidos. Maestro regente semente de musicalidade. Sonoridade ambígua amante de cada melodia infinita. Batuta ondula movimentos de concentração. Lágrimas penduram-se nos cílios petrificados. Vidrados e molhados com brilho de emoção, todos os olhos ouvidos aplaudiram de pé por longos minutos a linda sinfonia que partira para outros corações.     
Século XVIII. Tempo de muita destruição. Camuflado no alto de uma árvore, estava eu, a espreita de meus inimigos. Não sei que tipo de mostro me tornei, mas a ira que corria em minhas veias era letal. Eles atearam fogo nas minhas terras. Abusaram de nossas mulheres e as queimaram vivas. Assassinaram nossas crianças. Sacrificaram centenas de pessoas de bem. Degolaram meus pais bem diante dos meus olhos. Dizimaram o meu povo. Amaldiçoados sejam estes vermes. Algumas semanas depois, fui encontrado por um homem que passava pelo lugar destruído. Colocou-me em seu cavalo ainda desacordado e levou-me para suas terras ao Norte de Vandenon. Em meio aos corpos carbonizados e esquartejados este homem ouviu um gemido e em sua procura, encontrou-me ferido por perfuração de espada no peito e no pescoço. Eu tinha apenas quatorze anos. Levei meses até me recuperar. Todas as noites acordava assustado vendo as imagens daquele dia. Lavínia, filha do homem que salvou minha vida, era qu...
Eu nu. Cidade deserta. Não havia dia nem noite. Não havia Sol nem Lua. Eu nu. Vaguei pelos calabouços do mesmo navio. Um corpo marcado por ódio. Eu nu e sem nome. Pisei em destroços do Passado. Um sino badalou nas esquinas da dor. Eu nu e os tambores ruíram. Punhos e tornozelos presos ás correntes da alma. Saudade do meu nascimento. Saudade do meu povo. Eu nu pelos córregos a me banhar. Eu nu de corpo e de espírito.  Eu nu pelos irmãos que se foram. Eu nu pela coragem de me manter vivo. Eu nu pelos filhos dos meus filhos. Não preciso mais me esconder. Acabou. Eu nu para todo o sempre.
Uma caverna, uma fogueira. Chuva lá fora a noite inteira. Ursos com fome, medo é meu nome. Raios me assustam, trovões me apavoram. De um lado o escuro do outro o frio. O fogo aquece o sono sombrio. Eu ouço barulhos e abraço minhas pernas. Penso distante em outras cavernas. Muitas coisas se passam na minha cabeça. Daqui não saio até que o dia amanheça.
De frente para o Mar invoco meus pensamentos. Faço uma releitura de tudo o que vivi. No balanço das ondas sinto ninar minha calmaria. O Mar aberto convida-me para uma viagem ao infinito dos meus sentimentos. Ao meu lado o vento conversa e conta-me coisas sobre suas jornadas. De acento, as rochas. Elas deslizam meu corpo por seus corais. A arrebentação das águas chicoteavam os muros deformados. Um mergulho profundo trouxe-me segredos do seu coração. Tartarugas, Golfinhos, peixes e tesouros. Naufraguei na beleza do azul Oceano. 
Elas descem como plumas de ouro. O ar parece ainda mais leve que o natural. Harpas condensam suas energias através da melodia suave. Uma luz violeta mistura-se ao esplendor do Altar celeste. Trono de Rei soberano. Algo cura meu ser de dentro pra fora. Assim minha alma cansada descansa pelos campos iluminados. Toquei numa rosa molhada e assim ela desabrochou. E outras milhares desabrocharam simultaneamente. Uma linda criança segurou minha mão sorrindo e levou-me para voar. Entramos no centro do Céu e tudo se fez novo. Aurora Boreal formou-se nos Astros do meu interior.
Como foi bom te encontrar. Senti saudades. Abraça-me com força. Lembra-te de quando eramos crianças? Lembra-te do nosso primeiro beijo em cima da macieira da sua Avó? E dos nossos passeios no Parque? Lembra-te? Te esperei por todos estes anos. Eu sabia que retornaria para mim. Não me entreguei a ninguém. Isso porque te amo. Vamos! Diga-me! Está feliz em me ver? Diga-me o motivo destes olhos baixos e dessa tristeza! Estava tão sorridente agora mesmo. O que é isso em sua mão? Isso é uma aliança? Você casou-se? Meu Deus! Por que não me avisou? Olha! Não precisa dizer nada! Tudo o que eu mais quero é que sejas feliz. Saiba que nada disto mudará o que sinto por você. Dê-me apenas um último beijo para que eu possa seguir em paz. Nenhuma dor será maior que o meu amor. Pra sempre te amarei.
Abri a porta. Um corredor extenso estava diante de mim. Olhei para um lado, olhei para o outro e vi muitas portas. Passo a passo eu observava cada porta. Quando cheguei a metade do caminho as luzes começaram a se apagar uma a uma. Espantado comecei a correr. Tentei entrar por algumas portas, mas todas estavam trancadas. A escuridão aproximava-se rapidamente. Um pavor tomou conta do meu ser. Na van tentativa de fugir esbarrei numa maca. Ao cair, não conseguia me levar, então me arrastei pelo chão. A escuridão me alcançou.  No breu continuei a procurar uma saída.  De repente, um som estrondoso surgiu no fim do corredor escuro. Naquele momento, vi meu coração parar de bater. O escuro não me permitia ver, mas meus olhos estavam bem arregalados. Pensei em gritar, mas não havia voz. Algo rastejava-se na minha direção. Dava para ouvir o barulho das unhas ou garras tocarem o chão. O som de gemido parecia estar um palmo diante de mim. Foi quando...
Corro perigo de vida. Por um longo tempo a solidão se fez companheira. Deu-me abrigo quando mais precisei. Mostrou-me a liberdade do silêncio. Ouviu meus prantos e aconselhou-me a viver isolado. Fugindo da frustração de manter um contato direto com o mundo. O meu mundo já era suficiente para a minha sobrevivência. Hoje a solidão não me quer mais. Decidiu me deixar. Corro perigo de vida, pois não sei viver sem ela. Sinto um verdadeiro vazio agora. O mundo me espera. Vejo pessoas de bem a me estender as mãos. A solidão pediu para que eu tentasse um novo contato. Se não der certo, abraçarei com força minha amiga solidão outra vez.
Na toalha da mesa um guardanapo poesia. Vinho branco se fez gole no paladar da sutileza. Marcou a borda do cristal com batom de lábios frescos. Discretamente levou suas madeixas para trás da orelha. O olhar levemente serrado uniu-se a um sorriso de canto que fascinou-me. Descompassada a minha respiração transpirou e o nó na garganta apertou. Pus minhas mãos sobre as tuas e nos adoramos através de um olhar contínuo. Nenhuma palavra foi dita. Deixamos a admiração dos sentimentos se expressarem de maneira singela. Tudo ao redor deixou de existir. Mais um gole de vinho, mais um gole de beijo. Lábios casados aos arrepios da pele. Algo movia-se em nossos corpos. Até que um sorriso nada discreto deixou-a encabulada. Naquele momento fiz a leitura da sua libertação. Eras minha de fato. Um pedido encorajado surgiu á mesa. Seu suspense quase fez o meu coração parar de bater. Mas o que saiu de sua boca foi um sim ao sorriso. A felicidade se fez forte e juntos amamo-nos na presen...
Limoeiro cheirou beija flor. Dilema se fez no ninho da Águia. Num voo rasante impostou o seu grito. O Índio ao cavalo bradou sua flecha. No chão da aldeia chorava seu filho. Calou-se a floresta. Retornava naquele instante o solitário espírito. Alcateia de Lobos amigos uivaram suas lágrimas. Reuniram-se todos num culto ás forças do bem. Os pés empoeirados batiam forte ao chão. Flechas foram lançadas ao mar da imortalidade. E assim, toda a Tribo testemunhou o solitário espírito a sair do seu corpo.   
Longe de tudo. Distante da população. Terreno hostil deformado pela mudança. Trilha ingrime de subida proposital. Inspiro pelo nariz e apoio minhas mãos no solo. Perdido encontrei uma onça. Ela sequer se incomodou. Cachoeira me abriu a passagem. E assim banhei-me no refrescar. Um nado submerso no lago disperso. Vesti minhas roupas após me banhar. Declamei em voz alta o agradecimento.  Até que as Araras começassem a voar.  
Reagir é sublime. Não carregue este fardo por muito tempo. Ele não é seu. Eu sei que o peito grita enquanto sua boca se cala. Cansou de chorar, pois já não ha mais lágrimas. Perdoe-se linda criança. Limpe seus pensamentos e abra seu coração. Esqueça os gritos de dor. Deixe ir o que te feriu. Perdoe. Adormeça e descanse num sono de paz. Desperte para o jardim diante dos teus olhos. Não tenha medo de abri-los. Não verá mais uma só escuridão, e sim, o paraíso. Ouça a canção dos anjos. Permita-se ser feliz. Não desista da vida. Perdoe-se. Há uma luz sem fim na sua alma. Ela cresce a cada minuto iluminando o seu destino. Ela te levará ao extremo da sua consciência. Ouça a minha voz. Sou eu seu coração. Quero viver. Sei que posso te fazer sorrir.
Terra que salta em pisadas de chuva forte. Molhando o cheiro a passar pela porta. Insetos nadando no mar das pegadas. Sabiá minguado em silêncio parado não quer mais cantar. Primeiro batuque na telha de bananeira. Depois outros mais na rua dos coqueirais. A água invade molhando a cadeira. Me deito no solo firmando os beirais.
Passei a noite acordado a te esperar. Tu sumistes na neblina da noite. Confuso e preocupado comecei a prantear. Escrevia poemas e fumava sem parar. Teu vinho perdeu o sabor. A cama ainda arrumada perdeu o sentido. Os raios gritavam de medo aos clarões do meu juízo. O cinzeiro preenchido exalava cheiro de um vício prejuízo. Estejas onde estiver volte depressa e acalma essa minha ira. Ponha-me outra vez na tua mira. E faça fluir nossa ressurreição.
Eu saía de um Bar, era tarde. Caminhei pelas ruas frias e desertas daquele lugar. Estava bêbado demais para acertar os meus próprios passos. De cabeça baixa não percebi que havia chegado a um outro lugar. Plantações, laranjais e todo tipo de pomar a Céu aberto. Meu peito sorriu, mas a minha paz não estava por perto. Tentei entender, mas não pude. Era demais pra mim. Cervos corriam e borboletas me rodeavam. Zebras matavam sua sede no rio. Minhas vestes tornaram-se alvas e meu olhar mais vivo. Respirei bem fundo por tantas vezes. Abri os braços e fechei os olhos. Choveu no meu rosto. A chuva inundou meu passado sombrio levando-me ao paraíso de minha esperança. Nunca mais retornei ao começo de tudo.
Um corvo sobrevoou meus bosques. Disse-me canto de corvo assustado. Deitou-se ao meu lado. Virou pedra de cor preciosa. Rolou pelo vento a cair em precipício lembrança. Em cascata vestiu a parede com cortinas de água. Banhou outros vales. Deu de beber ás árvores e aos animais. Atirou frutas em minha cabeça durante a soneca da paz. Perfumou minhas feridas com beijos amor. De alma curada dancei com as estrelas. Cadentes de felicidade riscavam o Céu do sorrir mais belo. Esta é felicidade a morar dentro de mim.
Universo apaixonado. A Natureza que amamenta sua humanidade. Musicalmente uma orquestra apresenta-se nas ondas do Mar. Uma vida que nasce de um ventre a chorar. Berço da crença expande a fé no invisível. Possível rever a morte que leva um amor. Dor estridente que sangra a mente e implora por flor. Veja aquela luz branca subindo a varanda das montanhas. É o amor que voltou para que assim possas perdoar a si mesma.
Assim como nascem as flores nasce também o perdão. Um amarelo cintilante que como o frio me remete a primeira imagem após acordar. Esticado o cansaço se deita na cama dos sonhos serenos. Dos Céus caiam lentamente cristais de gelo como notas musicais. A mente acariciou o rosto do sono. E desse mesmo sono surgiram novas jornadas. Um brilho adentrou os meus olhos e neles sorriram os Anjos.
Voar. Acima as estrelas. Abaixo o Planeta. Confundo constelações com emoções. Abraço Mercúrio e aceno para Vênus. Atravesso a Galáxia dizendo teu nome. A expressão serena do teu rosto ao beijar-me na varanda de casa. Sentavas em meu colo e dizia coisas sobre sonhos. Observávamos juntos o Sol que partia para outro lugar.  Como te amei. Te amei com todas as forças que tinha. A imagem do seu rosto não desprende-se das minhas lembranças. Eras tão feliz meu amor. Nosso banho no riacho. Tua boca confabulava os poemas que sentias. Era tão belo. Pena ter partido tão cedo. Seu adeus me dói até hoje. Viajo pelo Universo na tentativa de te encontrar só mais uma vez. Só quero sentir o teu cheiro de novo. Hoje sou velho, mas a minha alma é tão jovem quanto o amor que sinto por ti minha amada. Muito em breve nos veremos outra vez. Descanse em paz.
Minha vida. Meu refúgio. Fujo de tudo que me ofereça risco. Medo de viver. Medo de amar. Medo de sorrir. Medo da felicidade. Apego-me aos momentos mais felizes da minha vida. Não me permito viver isso novamente. Quero chorar por algo que valha a pena. Preciso sorrir por algo que de fato me cause alegria. Andarilho nas estradas sem fim. Somente um violão e vagas lembranças. Disposto a encontrar uma nova verdade. Algo que de fato faça algum sentido. Busco amanhecer com o horizonte de novas canções. Assim, serei vida junto a novas composições. Compor um novo sentido para sua própria vida. Ser pássaro no Céu do deserto mais árido. Encontrar um espírito maciço no frio que te cobre á noite. Andar e andar até que um resumo sensato tropece em você. 
Quero devorar-te. Quero invadir o teu corpo e tocar tua alma. Quero marcar tua carne com atos de puro desejo. Quero ofuscar o teu medo e adentrar na tua vontade. Quero dar-te somente aquilo que tu queres. Quero ver-te explodir com fúria de paixão. Quero ver-te desenhar em minhas costas o prazer que sentes. Quero ver diante dos meus olhos uma leoa dominada pelo seu macho. Quero extrair do seu núcleo toda a pureza das mais variadas sensações. Quero beber da tua nascente. Quero banhar-me no teu suor. Quero ouvir o som da tua entrega. Quero ver tuas asas sobrevoarem o Céu do nosso momento. Quero sentir a tua musculatura contrair e descontrair êxtase.  Quero cheirar teus mistérios. Quero beijar teus segredos. Quero torna-la desprovida de resistência. Quero amar grosseiramente a sua intimidade. Quero devorar-te.