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O que te faz mais feliz, amar ou ser amado? Dar ou receber prazer? Ser feliz ou fazer alguém feliz? Digamos que só poderemos escolher uma opção de cada pergunta. Em todas estas perguntas algo ficará muito claro. Não devemos impor nada a ninguém. Existem pessoas que abrem mão de alguma coisa por você. E você, consegue abrir mão de algo por alguém? Já abriu mão da sua felicidade pra que alguém se sentisse feliz? Já se deixou ser amado, sem amar? Já teve prazer em dar prazer sem senti-lo? Muito complexo. Se não for mutuo por natureza, então não valerá a pena. A verdade faz doer, mas a mentira e a omissão matam.
Toda vez que tento escrever não consigo. Toda vez que tento cantar não consigo. Se tento compor não consigo. Se tento dançar não consigo. Todas as vezes que sinto-me triste, tento chorar e não consigo. Tentei sorrir, tentei ser amado, tentei amar, mas não consigo. Em busca de uma solução para tal sofrimento, encontrei a causa. Falta-me o amor próprio.
Eis que surge infame esse mal odor de meus pensamentos. Abre como corte sem cura minha alma obscura. Aprisionado nesse meu poço sem luz. Me vejo caindo centenas de vezes de uma altura que não acaba. Dentes trincados e olhos fechados. Por séculos a viajar pelos mundos de ninguém. Vivendo vidas que não são minhas. Em algum momento perdi o calor e o perfume. Deixei escapar a doçura da minha essência. Minha estrela ficou perdida em algum lugar nesse Espaço tão vasto. São tantas dimensões. São tantas Galáxias. Vivo a flutuar infinitamente pelo Sistema da existência. Apesar da imortalidade o cansaço me abate.
Recordações. Num milésimo de uma vida as frações se multiplicam. Átomos de um resquício fantástico. Sem sombras, sem nuvens. Sem você, sem princípios. Um dia fui água e hoje sou rocha.  Nas minhas roseiras uma rosa que não desabrocha.
Hora de crescer. Hora de levantar e tomar um bom café da manhã. Não há nada que eu possa fazer. O meu destino é viver assombrado pela solidão. Não quero o amor de pessoas que não posso amar. Vou viajar. Vou invadir o Futuro e buscar e buscar minhas drogas. Drogas que me farão esquecer que existo. Andarei á cavalo. Farei mergulhos em águas transparentes. Saltarei de aviões e Montanhas. Tomarei um porre e ficarei nu pelas florestas. Vou me drogar com elementos que irão anestesiar meus temores. Vou inalar a pureza do ar e ingerir o verde das matas. Estou doente e preciso de internação. Paraíso Natural, estou a caminho!
Beijinho na ponta do nariz. Feliz é o paraíso do seu aconchego. Me amo e te amo. Tocarei o Piano para que o Morcego não mais esteja de cabeça para baixo. Estou a renegar essas correntes pesadas que prendem os meus pés. De olhos vendados fui guiado pelo odor florido da sua nudez. Fiz a pintura de índia na tela forrada de excitação artística. Várias doses de Martíni ao furor da emoção. Arremessei o copo na parede e enfurecido quebrei toda a sala. Cortei minha mãos e caí em choro profundo. Solucei por minutos sem sessar. Era o remorso corroendo a minha paz. Solitário decaí na escala dos Céus.
O Céu está a chorar. Chuva a escoar pelo meio fio da canção. Outro acorde formou-se no compasso passageiro. E o meu Hino se fez ver Verbo na cadência dos versos. Orquestra chuviscou com força no asfalto nu. Cada gota era um passo dado de cada vez. Foi quando um raio abateu-me iluminando minha voz. Solei como Tenor diante da plateia vazia. Soltei o canto atormentado e tudo se fez magia.
Hoje eu te vi. Estava tão linda. Aquele olhar queria me dizer algo além do que disse. As palavras que saíram da sua boca não faziam sentido algum. Eu adoraria ouvi-la dizer-me o que de fato desejas. Sei porque não o faz, sabes que sou de outro alguém. Sinto por isso, mas você encantou-me.
Varridos pelo medo da dor. Perdemos alguém que amamos. Alguém que um dia fez parte da nossa história. Alguém que um dia nos fez sorrir ou chorar. Alguém que possivelmente nos tenha ferido ou amado. Hoje já não está mais entre nós. Alguém que um dia viveu, respirou e teve sentimentos. Talvez tenha tido a oportunidade de amar intensamente. Cometeu erros e acertos. Viveu e morreu. Sim! Estas pessoas podem nos fazer falta. Se foram deixando um rastro de saudades pontiagudas. E nós! O que deixaremos quando formos? Saudade ou desprezo?
Sempre fugimos daquilo que nos fortalece. Mãos que moldam vida a esculpir amor. Cortinas celestes que pintam e que bordam as hastes do futuro. Obras coloridas e abstratas nas telas do viver. Sombra amiga amenizou o forte Sol sobre nossas cabeças.  
Ela vem como a frase mais bela a despir-se na boca da tarde. É Primavera no corpo dela. Não posso decifra-la. Fala mistérios enquanto a minha boca cala. Rainha da maestria de enganar-me com sua beleza. Funciona como as profundezas do Mar sagrado. Cheia de abismos e tesouros. Relíquia que dissipa-se no alvorecer da paixão. Um tanto centrada, um tanto louca, um tanto indefesa. Mágica da complexidade instalada no ilusionismo da sua naturalidade.
Cascatas de gelo. Humanos petrificados pelo rio inflamado. Corte navalha no azul do Céu para raios enfurecidos. Rota de fuga turbulenta, atalhos perdidos. Olhar de profunda equivalência nos medos da mente. Frequente a libido falido. Enormes buracos sem fundo perderam seu chão. Não de ação inerte. O tempo passa, o tempo vem. 
Não sou Órfão de paz. O que falta-me é sentir-lá um pouco mais. Fica comigo mais este dia! És tão confortante a tua companhia. Preciosa e rara alimenta fogosa a minha tara. Teus vales, teus montes, teus rios e teus ventos, todos a envolver-me de maneira incomparável. Alento e perfume misturam-se nas minhas peles de carne e tecido. Preciso possuí-la por inteiro para que sinta-me dentro do teu Ser pelos próximos dias.
No cofre dos meus amores eu guardei a melhor lembrança. Sem reivindicar vingança sucumbi á esperança de outra face. Delimitei a absorção da maturidade em nível acelerado. Desmoronei as rochas mais densas da minha loucura causando avalanche de expressão. Depressão aprisionou-me por semanas na tentativa de tirar-me do jogo. Fui fundo e além. Do fundo do poço para o harém. Dei um passo muito importante para o instinto de sobrevivência. 
Um grão de água corrente. Uma gota de areia nesta Ilha carente. Sobrevivente daquilo que um dia foi vida. Onde os sorrisos eram mais felizes e verdadeiros. Encontrava-se abraços apertados em qualquer esquina. Não havia fome nem sede. Onde matava-se apenas para se alimentar. Lágrimas eram sinceras. Uns cuidavam dos outros. Agora, tudo isso deixou de existir.
Sou como sou. Vou como vou. Sinto porque sinto. Sem malas e bagagens. Apenas lembranças e sentimentos carrego comigo. Não há uma só pessoa que toque-me profundamente. Faz muitos anos que não perco o fôlego e fico com as pernas bambas. Minhas mãos não tremem mais e a gagueira nunca mais voltou. Não lembro mais como é sentir o coração explodir a ponto de querer tirar os seus pés do chão. Os olhos brilhavam como faróis, a pele suava e subia um calafrio gostoso. Respiração ofegava, o desejo falava e até dava uma vontade repentina de chorar. Por onde andam esses sentimentos? Não os procuro mais, pois receio ficar exposto para que zombem da minha verdade.
Cimentos e tijolos. Asfaltos e automóveis. Buzinas escandalosas e muita poluição generalizada. Febre da Saúde, ignorância da Educação e vergonha das autoridades. Mortes valorizadas, pessoas descartáveis. Muitos tem tudo e não tem nada. Outros nada tem além da vida que agoniza. Vejo os verdes tímidos nesse imenso embrulho danoso. Penso ligeiro e reflito segredos da alma. A Natureza me acalma. Sejam bem vindos todos os bons dias adiante.
Assim que puder, partirei. Adentrarei no mais profundo do fim do mundo. Vou em busca de novos ares. Preciso encontrar-me no silêncio da estrada. Ser sociável me apavora. Tento ser compatível, mas não consigo. Preciso de um respiro. Preciso de um real amanhecer na sacada de qualquer lugar.
Cansado estou por falta de amor. Faz tempo que não amo ninguém, nem a mim. Se eu me amasse de verdade, aceitaria a solidão como companhia. Viver nesta corda bamba por sobre o precipício da vida, não me favoreceu em nada. Fingir amar é pior que simplesmente não amar. Vivo tentando curar as dores e frustrações de terceiros, enquanto caminho por terras distantes e frias. Vazio de sentimento, sinto-me como uma garrafa de Whisky no chão a rolar de um lado para o outro. Ando sem voz e sem estimulo. Vago pelo melhor dos meus sonhos para aliviar os ferimentos da Guerra. Não quero amar e nem quero ser amado. Não posso me ver obrigado a fazer ou sentir algo que não desejo. Quando penso em fazer alguém feliz renegando a minha própria felicidade, isso gera um efeito contrario e ambos adormecem o amargo da desilusão. Sou solitário. Numa próxima oportunidade, não abrirei mais as minhas muralhas e não mais acolherei quem quer que seja. 
Hoje os meus olhos saltaram dos pulmões. Minhas orelhas avermelharam-se nos cotovelos. Meu coração saiu pela boca do estômago. Minha cabeça batia nas pontas dos pés. Minha carne fatiada por lâmina estridente. Essa confusa mutação deu-se ao momento devastador desses longos dias. Sangrentas batalhas com o meu próprio destino. Sombras de um futuro inexato.