Um casebre com retoque de antiguidade. Jardim morto, folhas mortas. A porta se abriu com ruído de boas vindas. O odor de mofo recepcionou-me acompanhado de muita poeira e casas de aranhas. Pelo chão, o quebrado do porta-retrato. Fotografias envelhecidas e desbotadas decoravam a parede junto ás imagens em molduras. Na escada faltava degraus. Nas janelas faltava vidros. De repente, uma tempestade anunciou sua chegada. Não havia energia elétrica na casa, havia somente o clarão dos raios. Com o Céu escuro e a casa escura, procurei nas gavetas algo que pudesse usar para iluminar o ambiente. Na procura incansável, encontrei algumas velas. Com tanta chuva do lado de fora, restava-me a opção de passar a noite na casa. Não havia mais lençóis ou cobertores nos quartos, todos estavam puídos e esfarelando-se. Daí usei meu sobretudo como cobertor e minha mochila como travesseiro. Pus uma vela ao meu lado e comecei a ler um livro, já que a casa tirava-me o sono. Quando d...
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Mostrando postagens de janeiro, 2018
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Estou a observar o Planeta Terra do ângulo externo. É de uma grandeza assustadora. Beleza incomparável. Mais assustador e grandioso que isso é o Universo. Eu me sinto um nada diante de uma infinita sensação visual. Sou engolido repetidas vezes. Isso acontece como se a grandiosidade do Universo redobrasse de tamanho continuamente. Um buraco negro com profundidade interminável. Cheguei a conclusão de que todos fomos engolidos por esta enorme boca negra. Eu não caía e nem flutuava, era muito estranho.
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Quando você se foi, deixou um rastro de nostalgia. Levou contigo a minha alegria. Viajou no tempo e abrigou-se onde os meus olhos já não mais poderiam vê-la. Uma dor arrogante anuviou meus dias. Pensar já não era mais possível. Nada sobre nada e um buraco no chão se abriu, engolindo as forças das minhas pernas. Não era o fim. Era o começo. Culpar-me já não era mais necessário. Se não tivesse partido, não conceberia-me o milagre de reencontrar a felicidade. Nos dias seguintes, meus sentimentos renascidos diziam incansavelmente para o espelho: - Eu te amo! O amor interior, encontrou o caminho de volta. Hoje, não sou mais aquele objeto obsoleto. Hoje, sou o poema que dança na vida de um grande soneto. Obrigado!
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Poeira rendeu-se para o suor da chuva. Num beijo caloroso formou-se dois corpos. Dois corpos virgens, amamentados pela inocência do primeiro contato. Uma pele se esfregava na outra derretendo as informes sensações. Deste parto normal, nascia a identidade das terminações nervosas. O caráter do que se sentia, proliferava euforia nas batidas de cada respiração ofegante. Cada olhar musicalizava em melodia descompassada. Surgia instantaneamente a ânsia de fugir da fobia que impregnava prazer. Um curto circuito gritou implosão em um gozo múltiplo, expelindo do pó fundido, uma máxima de espasmos contínuos.
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Ave marinha planou ao refluxo do alto sopro. O grito do canto mergulhou em Mar aberto. Em repouso absoluto, despertou o crepúsculo. Ruas e praças silenciaram o tempo. Ipês colorindo a grama com perfumes medievais. Cascalhos de conchas. Maresia introduzida no bálsamo afluente de sândalo. Encorajado o calcário peregrinou no oásis da terra nova. Brindei com parreiras fermentadas em taças cristalizadas com sabor de apreciação.
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Árvore dos desejos. Leva-me para a Floresta dos teus sonhos. Embala-me nos teus galhos maciços. Faça-me expirar pelos teus poros. Deixa-me acariciar as células do teu caule mágico e antigo. Conduza-me pelo deslizamento das rochas até as águas famintas da fonte que te alimenta. Embriaga-me na sede das corredeiras abundantes em transparente pureza. Cubra-me com teu verde dominante e pinte de esperança a Fé do meu humilde coração. Sou Tribo em tuas terras. Sou terra fértil para suas sementes, causa-me semeadura no âmbito da íntima fidelidade que lhe tenho. Tu és a minha casa. Tu representas a minha força. Tu és a vida que plantei no Tempo da minha sobrevivência. Árvore dos desejos. Realize meus sonhos.
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Pessoas... Quem são? De onde elas vem? Enquanto caminho, elas passam por mim no ir e vir da vida. Gestos, comportamentos, costumes e muitos olhos tristes e marejados. Vejo um aglomerado de dor em cada olhar, mas também vejo alegria em poucos olhos. Sorrisos forçados. Cumprimentos incertos. Homens, mulheres e muitos Passados. O que será que estão pensando neste exato momento? O que sente toda essa gente? Tem gente que se faz decepção e faz agonizar a confiança que ainda está a nascer dentro de nós. Algumas atravessaram o meu Rio e me fizeram triste em choro. Outras fizeram-me feliz em sorrisos. Já outras, eu inconsequentemente afoguei em minhas águas e deixei que as correntezas dos meus excessos ás levassem para longe. Entretanto, todos aprendemos algo com todos. Pessoas... Quem são? De onde elas vem?
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Folha em branco. Branco que pinta a alma de cor semelhante. Caligrafia celestial. Asteroides flamejantes rasgavam o abismo escuro, iluminando toda a poesia respingada na intimidade dos sentimentos das folhas cruas. Eram alimentados pela força gravitacional dos sonhos. Prolongada viagem de Planeta em Planeta pegando atalho nas paralisantes lembranças da Lua. Um profundo Rio Glacial arrastou meu coração nas correntezas cortantes. Um fio de lâmina que gera dor no vazio gelado e que de tão profundo torna-se raso. Por hora, o momento sussurrou nas pupilas do meu medo. Segredos foram libertos para o amanhecer da nova verdade. Na folha infinita, o sangue que lubrifica minha vida, se move pelas veias do mistério poético deste grande Livro sem fim. Eu.
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Moralmente ilegal. Severamente hipócrita. Loucamente desordeiro. Literalmente gostoso. Implacavelmente insano. Adoravelmente libertador. Generosamente delicioso. Verdadeiramente contagiante. Completamente hipnotizante. Aventureiro e prazeroso. É de sublime valor. É de supremo calor. Isto é o sexo que fazemos com amor.
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Tão perto. Casaco de Lã e o frio responde. O cruzar das pernas em submerso edredom. Café quente com dom de fumaça em perfume de xícaras. Paladar na testa e um beijo na degustação da cafeína. Abafado o corpo seus seios libertos. Repentina soneca relaxa sua alma. Tua face sorria por onde o meu carinho escorria. Uma glória paradisíaca na fonte Astral dos nossos momentos.
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Amedrontado estou com a visita do novo. Ele convida-me a navegar nas enxurradas do meio fio. Com tantos bueiros entupidos, resta-me deslizar nos porquês desta aventura. As nuvens zangadas choravam e gritavam palavras de ordem. Parado no ponto de ônibus, olhei para o meu corpo e vi uma perna cansada, e uma roupa molhada. Foi então que decidi calar os Céus e as nuvens. Tudo o que quero é amar loucamente alguém que me ame com a mesma intensidade. Quero ver o sorriso no rostinho da minha filha e quero ver orgulho nos olhos da minha mãe. Quero banir de uma vez por todas boa parte da fome na face da Terra. Como eu gostaria de ver amor e gentileza em cada gente. Tudo o que eu mais quero é poder me desarmar e abrir o meu coração. Quero que todo esse sentimento que me sufoca, expanda-se sobre o Universo através de um grito libertador. Se uma humilde tempestade de Verão foi capaz de extrair tudo isso de mim em fração de segundos, quem dirá se cair sobre mim o temporal de...