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Mostrando postagens de março, 2014

A ORIGEM

De onde venho, tudo é sublime. O azul é cintilante e predominante, com estalos prateados e brilhantes realçam a tempestade cósmica com rastros luminosos entrelaçados em vertical e horizontal, todos em tons de fogo que rasgam a atmosfera infinita. O Buraco Negro é a unica porta de entrada e saída para os que vivem em uma dimensão imensurável. Corpos estranhos ao atravessarem são engolidos pelo portal e nunca mais retornam. O Poder que me criou é supremo e soberano e me designou em uma missão muito satisfatória. Ser mortal e errante é uma experiência única para a minha Origem. Sou complexo. Tenho lados e estados superiores ao deste lugar. Sentir dor e ter sentimentos diversos é fascinante. A unica razão pela qual vos revelo este mistério é a de que certamente entenderão o descrito como uma ficção. Melhor assim. Tenho a missão de confrontar, com o uso da força se necessário, seres iguais ou superiores a mim e para isso devo ser parte dos viventes. Posso assumir inúm...

LINDA COMO SÓ TU ÉS

Entusiasmado e atrevido me cobri de coragem mesmo com o coração ferido. Cercado por verde, deitado na rede, na sombra do vento ao som do falsete. Impus meus valores do canto dos pássaros ao perfume das flores. Linda como só tu és, caminhando suave pela grama aparada, vestido dançante, na ponta dos pés. Um misto influente de sonho e realidade, de beleza e raridade, prisão e liberdade. O lugar e o momento são só o complemento da sua explosão de cores e brilhos. Em meu colo ao solo tua cabeça reclina, meus carinhos percorrem o teu corpo em neblina. Água presente, poema fluente, calor envolvente, desejo ardente, passado ausente, momento eloquente, sorriso da gente. Linda como só tu és.

O DESPERTAR DA MORTE

Ao abrir os olhos percebi a escuridão de um quarto desconhecido. O ambiente é fétido. De um lado e do outro macas vazias. A minha frente, uma mesa com ferramentas cirúrgicas. Gazes ensopadas de sangue jogadas pelo chão e por sobre as bandejas. Desnorteado e tendo como indumentaria um roupão encardido. Saindo do quarto e chegando ao longo corredor, vi dezenas de corpos deitados nas macas enfileiradas. A cada passo que eu dava em busca de respostas as lâmpadas iam se apagando como se a escuridão me perseguisse. Chegando a metade do corredor, o susto. Todos aqueles corpos mortos despertaram de seus sonos e enquanto eles se levantavam de suas camas de ferro, eu ia tratando de fugir do lugar. Não sei ao certo se o lugar era um hospital desativado ou um necrotério. Comecei a correr pelos corredores em busca de saída e cada gemido daqueles mortos vivos preenchia todos os andares e corredores fazendo subir em mim os arrepios e o desespero. Assim que cheguei ao térreo corri...

ABSTINÊNCIA

A mortandade se desespera por falta de vida. O náufrago do desespero agoniza, embora sofra com falta de mais vítimas. Ser amado é direito de todos, mas o amor é a riqueza de poucos. Inflamado grito oculto. Se exaspera na insana impureza da decência. Impossibilidades existenciais. Loucura de um inferno frio e renegado aos borbulhos do pavor. Amar nem sempre é sinônimo de felicidade. Amar também é sofrer para que perdure a felicidade do amado. Amar é compreender as falhas cometidas, seja por ingenuidade ou por pura vontade. Amar é perdoar, mas sempre com um toque de admoestação. Comovido com a exatidão da sinceridade robusta e sobrecarregada de traumas inevitáveis. Querer amar sem nunca ter sido amado de verdade e com total visibilidade através das atitudes. É doloroso. Porém, o amor que tantos citam em vão, acabara de se esfriar e não há nada que eu possa fazer se não cita-los em versos e canções. O lado vazio da cama é gelado e somente a sua presença é capaz de ace...

NA CHUVA

Essa sua cor. Essa sua pele. Esse corpo molhado com a roupa colada, isso me excita. Chuva amiga. Te vendo sorrir e correr em todas as direções me convidando a dançar ao som das gotas na terra, fez com que eu me sentisse um garoto outra vez. O cheiro da chuva e terra molhada adoçava a nossa dança. Seu olhar alegre.  O beijo. O abraço molhado. Tudo tão mágico. Percebemos que roupas não combinavam com o momento e então deixamos que a poderosa chuva lavasse a nossa nudez e a nossa alma Feliz. Tudo a volta deixou de existir. Rolamos na lama. Fizemos uma luta acirrada, ali mesmo, para descobrir quem dava mais prazer ao outro. Estávamos nus de fato, sem lembranças, sem cobranças, sem perguntas, sem nãos e porquês, sem papo de sentimentos. O que sentimos um pelo outro expressamos ali, o momento era nosso. Apenas deixamos acontecer e foi maravilhoso. Não houve interrupção de ambas as partes. Apenas olhares profundos. Apenas toques sinceros. Apenas sons de um real pr...

A CASA DOS NÃO VIVENTES

Quem pode falar sobre a morte? Quem já esteve do outro lado? Quem já sentiu o cheiro ou já viu o estado em que eles se encontram? Quem já os viu voltar inúmeras vezes para tentar entender o que de fato aconteceu? Os mais recentes são cobertos por interrogações. Ficam ali meio que inconscientes sem ter a convicção de qual será o próximo passo. Alguns me cobram porquês. Por quês, porquês, porquês e porquês. Não sou a resposta. Talvez eu seja somente o autor, mas não a resposta. Os motivos pelos quais eu gerei estas vidas invertidas, não são significativos ou positivos. São unicamente a escuridão e a solidão profunda de um Eu adormecido prestes a despertar. Reconheço que os porquês, não são por acaso. Talvez eu seja a própria resposta, mas tenho a impressão de que não sou corajoso o suficiente para ser a resposta que eles esperam que eu seja. Bem sei que nada que eu diga mudará o presente. Sei também que a minha entrega não serviria como passagem de volta para cad...

SINTO FALTA DE UMA COMPANHIA

Sinto falta de uma companhia. Não quero ter a obrigação de amar e nem quero obrigar ninguém a me amar. Não quero que me forcem a ter uma paixão e nem quero forçar ninguém a se apaixonar. Apenas sinto falta de uma companhia. Não quero ser obrigado a desfrutar do corpo de alguém, mas também não quero forçar ninguém a fazê-lo. Durante a infância, fui educado com muito amor e aprendi como um homem deve tratar uma mulher de verdade. No decorrer dos anos tive a oportunidade de ter todos os tipos de sentimentos pelas mulheres. Simpatia, gostar, admiração, paixão e até amor. Esses sentimentos entraram e saíram de mim por diversas vezes e com isso tive momentos maravilhosos e momentos que até hoje eu tento esquecer. Hoje, já um tanto amadurecido, vejo ue ainda tenho muito a aprender em relação a vida e as mulheres. Não duvido que já tenha existido mulheres com sentimentos sinceros por mim, mas toda a diferença é na hora da crise. As atitudes falam mais alto que as palavras....

O REMÉDIO

As horas continuam em sua caminhada. Meu esôfago é bloqueado impedindo a passagem do oxigênio. Antes que eu retorne ao pó, não desistirei de alimentar o meu corpo com a vida. Mesmo que o meu corpo esteja condenado, a minha alma se manterá presente, voando sempre acima da esperança. A força vem da fé, naquilo em que acreditamos. O beijo ou um abraço puro dos filhos ou de alguém que amamos muito. A surpresa por ver amigos de verdade atravessarem a porta da turbulência para apoia-lo num momento difícil. As lembranças da natureza e das coisas boas da vida, assim como momentos inesquecíveis. O remédio para o momento é o amor que tem a si mesmo. O corpo é mortal e disso temos certeza, mas a alma é eterna e a memoria é a herança. A maior dor que podemos sentir não é a dor física e sim a dor da solidão ou a ausência de perdão. O remédio para a morte é a vida. O remédio para a vida é o amor. O remédio para um verdadeiro amor é a paz de espírito.

REPENTINO OBSERVAR

No lago os peixes. Entre as nuvens os feixes, a luz, o sol. Mordo os lábios de ansiedade e desejo. Sigo as margens da paisagem e do beijo. Voando por sobre o mar até a brisa me abraçar. O Céu vem à terra e o seu azul se deita no oceano. O azul é do mar. Minha riqueza é te amar. Vida inspiração. Asas da emoção. Letras poéticas em ares.

O ENCONTRO DAS ANATOMIAS

Meu corpo está em ebulição. Parece um vulcão em erupção. Meus sentidos mais normais flutuam como as imaginações nas quatro estações.  Meu cheiro se mistura ao seu. Minha boca a sua. Minha anatomia encontra a sua. Sua entrega é admirável. Sua performance é incomparável. Seus delírios demonstram satisfação. Meu paladar degusta o requinte do seu prato saboroso. Suas curvaturas me causam perdição e minha insanidade se torna duvidosa. Entre nossas travessias de um corpo para o outro, constatamos prazer entre carnes, ossos e órgãos. Sentimentos derretidos e expelidos em orgasmos intermináveis. Uma audição aguçada te incendeia aos sussurros maliciosos da minha boca. Te quero em mim. Quero estar em você. Nossos corpos são limitados, mas nossas almas não. São jovens e sedentas por paixão.

A ARTE E O DOM

Interpretar é um dom, poetizar é viver. Cantar é expressar o que sente por dentro. É desprender-se de tudo e ousar com talento. Interpretar é expressar o que a composição sente. É dizer com gestos ou voz o que a muda e tímida composição transmite. Compor é a arte da criação. Sigo a vida compondo canções, poemas, coreografias e até traços que nem sei se posso chamar de desenhos, mas contudo, o que eu mais quero aprender a compor é a minha própria felicidade.