O DESPERTAR DA MORTE

Ao abrir os olhos percebi a escuridão de um quarto desconhecido.
O ambiente é fétido.
De um lado e do outro macas vazias. A minha frente, uma mesa com ferramentas cirúrgicas.
Gazes ensopadas de sangue jogadas pelo chão e por sobre as bandejas.
Desnorteado e tendo como indumentaria um roupão encardido. Saindo do quarto e chegando ao longo corredor, vi dezenas de corpos deitados nas macas enfileiradas.
A cada passo que eu dava em busca de respostas as lâmpadas iam se apagando como se a escuridão me perseguisse.
Chegando a metade do corredor, o susto.
Todos aqueles corpos mortos despertaram de seus sonos e enquanto eles se levantavam de suas camas de ferro, eu ia tratando de fugir do lugar.
Não sei ao certo se o lugar era um hospital desativado ou um necrotério.
Comecei a correr pelos corredores em busca de saída e cada gemido daqueles mortos vivos preenchia todos os andares e corredores fazendo subir em mim os arrepios e o desespero.
Assim que cheguei ao térreo corri em direção ao portão principal, mas ele estava fechado com correntes reforçadas e grandes cadeados.
Sem saída vi todos eles caminharem lentamente em minha direção, então fechei os olhos e esperei o pior.
Mas o pior não aconteceu.
A ficha caiu e o desespero aumentou.
Eu era o líder deles. Eu estou morto e ao acordar eles também acordaram.
Este foi o despertar da morte.

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