A JUNÇÃO DE DOIS LADOS
Não somos nada além do que temos para viver. Nossos corpos fedem quando mortos. Nossas almas fedem quando mortas. Nossas palavras fedem quando há fúria e rancor. Só exalamos algum perfume, quando abrimos mão da auto piedade e nos jogamos naquilo que nascemos pra ser. Um ser qualquer e vivente. Uma cólera obsessiva e indigesta, causa a escuridão desequilibrada desse monte de carnes. O gelado paralisa as extremidades do espírito sobrevivente. Meu conceito é adentrar no fascínio promissor do ar que alimenta a vida, que em breve adormecida na morte, exala um odor impregnador e insuportável. Isso me fazia engulhar frequentemente. Alguns gemidos desesperados e afogados em lágrimas e abraçados por dores, irão chamar a atenção dos pobres de fé. Há morte na vida e vida na morte. O desmonte do quebra-cabeças que se encaixa em dois mundos. Com os pés descalços afundados e embebidos até a canela em águas puras e frescas, olho ao redor e vejo fileiras de grandes árvores fazendo o meu ...