A JUNÇÃO DE DOIS LADOS
Não somos nada além do que temos para viver.
Nossos corpos fedem quando mortos. Nossas almas fedem quando mortas. Nossas palavras fedem quando há fúria e rancor.
Só exalamos algum perfume, quando abrimos mão da auto piedade e nos jogamos naquilo que nascemos pra ser. Um ser qualquer e vivente. Uma cólera obsessiva e indigesta, causa a escuridão desequilibrada desse monte de carnes. O gelado paralisa as extremidades do espírito sobrevivente. Meu conceito é adentrar no fascínio promissor do ar que alimenta a vida, que em breve adormecida na morte, exala um odor impregnador e insuportável. Isso me fazia engulhar frequentemente. Alguns gemidos desesperados e afogados em lágrimas e abraçados por dores, irão chamar a atenção dos pobres de fé. Há morte na vida e vida na morte.
O desmonte do quebra-cabeças que se encaixa em dois mundos.
Com os pés descalços afundados e embebidos até a canela em águas puras e frescas, olho ao redor e vejo fileiras de grandes árvores fazendo o meu caminho. Suas sombras dançam com os rastros da luz do sol e mostram as pedras mergulhadas que irei pisar. Ao fim do trajeto o silêncio absoluto e o chão de grandes nuvens são veludos aos meus pés. A chacina das minhas interrogações foi inevitável. O vento poderoso e alegre me tira os pés do chão de nuvens e me lança de um lado para outro do infinito em fração de milésimos.
Na junção dos lados, invisível e visível. Somos nossa própria resposta.
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