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Mostrando postagens de outubro, 2013

O último uivo na calada da noite

A hora da verdade se aproxima. Observo o cair da tarde atônito com a formação da noite. Aquele tapete negro se estendeu por sobre a minha cabeça. A mansão é sombria. Meu fraque fino cheirando a guardado, enobrece a minha postura. As velas acendem cada passo que dou no chão de madeira, que canta desafinado com o peso do meu obscuro. A poeira do ambiente preenche cada espaço das minhas narinas. Na sala de jantar a mesa estendia o brilho do verniz de ponta a ponta da sala. A primeira cadeira com estofado vermelho, representava a reunião dos vazios. Os corredores desta extensa mansão, acalentam a minha agonia de espaço silêncio. O grande relógio revestido com teias de aranhas, me atenta com o tic tac dos ponteiros de ouro, que prestes a se abraçarem com o doze desse grande círculo vicioso, influenciam severamente os meus olhos a abraçarem a grande bola de luz intensa que me incomoda muito. Na hora em que os ponteiros abraçam o doze, a luz da grande lua me abraça e um formigamento insisten...

O Estado do Estar

Turvo é o que vejo. Explosão de cores fortes em tons de fogo no cinza escuro do céu furioso. Torre estreita, Arraia em cruz, a lua de perto, as dores passadas. Ao som da lembrança me envolvo na dança e calo meu grito e corro pro riso. A trilha é o mato, o mato é o medo, o medo é a força, a força é a transformação, a transformação é o abismo, o abismo é o começo e o começo é onde termina o meu controle sobre o meu próximo passo. Ser o que sou é como amar o inexplicável e ao mesmo tempo correr do inevitável. O centro de tudo. Onde tudo começa. É como uma nascente de confusas estranhezas, borbulham incansavelmente misteriosos sentimentos. Minha voz já não é mais a mesma. Os meus pensamentos são escuros, a saliva se ausenta, o calor se alimenta e esse corpo que sempre me abrigou então resolve contribuir. Os olhos mais próximos e mais atentos se expressam através das bocas enfatizando uma preocupação. Já não sei mais se sou dois em um ou um em dois. Não sei se sou um em vários ou vários em...
Um amor difícil de se compreender, chega discreto como um simples sopro de um vento e repentinamente se mostra como um vendaval que sacode o meu equilíbrio deixando um rastro de confusão e destruição na minha realidade. Esse amor se dá sem restrição, porém cauteloso com a ambição, demonstra cuidado com o ser amado, se faz de sussurro e quer ser lembrado. Não sei o que acontece com este, que horas se apresenta inconformado com os desprezos passados e horas reage com resistência aos carinhos que regam a sua estiagem. As memórias malvadas prevalecem sobre a tímida esperança, um terremoto influenciado pela magia da experiência que se tem. Nada poderá suprir esse amargo vazio se não a sua felicidade e a sua atenção. Morro todos os dias quando percebo que em mim transborda o amor e ao atentar diante de mim observo que tu passas necessidade e sofre, por rejeitar minha inteira lealdade e por renegar a entrega gratuita de quem só te quer bem. Desperte agora ou adormecerá profundamente....
Vejo diante dos meus olhos a arte de elaborar o controle das minhas ações. Procurando as partes iguais dos destroços da trajetória de breves sonhadores, revigoro dizeres da alma e assim semi tonando os acordes do instrumento mais lindo de um ser, o coração. O coração é nobre, sentido perfeito, discreto, pureza que cobre a fortaleza dos apaixonados. Pássaros sobrevoam o ninho do calor que enlouquece o prazer de dois corpos famintos de carinhos e beijos. Anjos voadores pintam a terra no céu e o céu no espelho da terra. Um mar devorado de grandeza, os bri lhos celestiais se afogam na extensão da trajetória dos homens. O silêncio rejuvenesce a mente dos amantes da solidão que acalma o tédio.
Será que ainda há sentimento em você? Será que ainda há sentimento em mim? Será que ainda há sentimento entre eu e você? E em todo o resto do mundo, será que ainda há uma simples gota de sentimento? Não posso crer que o sentimento tenha se tornado extinto ou então virado uma lenda. A verdade pode ser uma lâmina inocente que te decepa a alma sem que você perceba. O sentimento não deve ser somente abstrato, tem que ser concreto. Quero senti-lo! Me atormenta a vagarosidade com que o sentimento do bicho homem se apresenta. Mortal prepotência, arte inversa, exposição de conflito, incerto bem.  
Cada passo descalço que dou em direção ao mundo renego meus próprios átrios, desencorajo meus risos independentemente da felicidade que se encontre neste mesmo ambiente. Medíocre sentimento invasivo me torna tolo diante da minha prepotência de achar que já sei do que se trata. Cada astro que toquei com os meus olhos foram retratados na memória da minha admiração. Do anel de saturno contemplei outras coisas, sei lá, outros ares.  Indícios de alteração mental foram diagnosticados pela própria consciência. Aquele assustador buraco negro parecia a boca mais larga de um funil girando em sentido contrário. Havia algo lá dentro, parecia um outra dimensão, era a imagem do momento do meu coração.