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Mostrando postagens de janeiro, 2014

"A HORA SE APROXIMA"

A caixa vazia é o crânio. Aquilo que bate sem parar é o músculo. Negro como só. Crianças nascem todos os dias enquanto pessoas viram estrelas, na imaginação da pura ingenuidade. Me firo com pensar e me excedo com o agir. Vou varrendo de mim as doçuras que só querem me ajudar. Pessoas que dividem suas vidas comigo. Portas me foram abertas nas almas e eu sempre rejeitando. Corro incessantemente para o orgulho. Tudo que vejo a frente é uma estrada sem fim cercada de mata fechada e com a lua cheia como ponto de apoio e referência. Minhas dores físicas são meus inimigos mais fáceis, talvez minha verdadeira identidade seja meu pior pesadelo. Pessoas, pessoas, pessoas. Indo e vindo em aviões, ônibus, metros e trens lotados. Carros financiados, carros quitados, seja la o que for. Meus filhos apostam em mim, esperam ansiosamente a minha recuperação. Mas o que tenho para eles? Venho me arrastando ao longo dos anos observando cada gesto, cada passo, cada atitude, cada err...

"A Virgindade"

O Baú do prazer. Templo sagrado, canto escondido, um hálito puro, odor florido. Paraíso vertical, uma imensidão de complexidade e mistérios. Sensível e preservada, preparada para o momento. O momento depende de alguém. O momento depende do inesperado. O momento depende dele mesmo ou de um mísero querer. Segredo oculto, desperta interesse. Talvez uma boa intenção ou quem sabe uma simples vontade. Tesouro guardado a uma só chave. Um sonho adormecido sonhando por acordar. Virgindade preciosa, me atiça toda prosa. Me enlouquece os pensamentos, sentimentos tão atentos. Sonho acordar assustado, coração acelerado, seu suspiro me afoga, seu prazer em mim aflora. Medo vejo em teu olhar, mas teu querer é de invejar. Seu aperto nos meus braços, o seu corpo em meus abraços. De menina a mulher um delírio importante, vivo um sonho acordado te amando a todo instante.

"FLOR"

Meu espaço.  Meu jardim. Por Orquídea ou Jasmim sempre abraço meu pedaço de infinito amor sem fim. Sombra fresca em ribeiro, água passa o tempo inteiro. Meu suspiro vem sorrindo, como venta o tempo lindo. Violeta, margarida, girassol e paz querida.  Terra fofa o caule entranha, vento e chuva o ar arranha. Perfumado o jardim e sua beleza, desnudando o colorido da natureza. Multi cores riscam o azul, entre sol e chuva de norte a sul. Pétalas sopradas pelo campo, insetos acasalam sossegados. Cantos são entoados nas árvores ao lado, sons que encantam e dão vida ao calado preservado. Flor e amor, amor em flor, namoro expandido no espaço florido. O beijo do Beija-flor, que encanta e causa calor, o pólen e as abelhinhas casamento nas entre linhas. Lua cobre meu jardim, nunca vi tão linda assim. Estrelas cadentes, se lançam contentes, até que eu me abra enfim. Horas vão, horas vem, eu não vejo mais ninguém. Me tiraram do meu lar, logo fico a prante...

"A COISA"

A data de hoje é: 11/01/2014. Eu me vi em cima de uma casa. Nela estava Eu, uma criança e a mãe da criança. Estávamos nos três ali, em cima daquela cama de casal. Próximo a cama havia uma maquina que até agora não sei ao certo se era um veiculo, se era uma maquina do tempo ou se era simplesmente uma engenhosidade qualquer. Não lembro de muita coisa, mas o que me lembro faz com que eu me arrepie a todo momento. Foi sinistro o que aconteceu naquele lugar. A mulher que eu comentei anteriormente, a mãe da criança, era loira, tinha os olhos bem azuis e ficava o tempo todo sentada com as pernas cruzadas em X. A criança que descrevi era morena, tinha o sexo indefinido, seu cabelo era bem negro, liso e curto. Seus olhos eram distantes e vazios. A criança não esboçava nenhuma reação. Não sei ao certo qual era a minha função ali, naquele lugar. Só me lembro de me ver mexendo naquela maquina estranha. Por hora, apareceram outros personagens no lugar, mas também não sei descreve-l...

"A ESCOLHA"

Hoje, Sussurrei para o vento morno um pouco da montanha rochosa que rasga o meu corpo por dentro. Proferi desigualdade para fazer em mim a liberdade que me aprisiona em solidão amiga. Pirado estou com o fato de incluir sentimentos e vidas na minha estranha decisão. Minhas pernas já estão cansadas de tanto fugir do bem que dizem querer pra mim. Meu coração foi rasgado por um punhal impiedoso e ali se derramou todas as gotas de prantos. Isso me transformou profundamente. Hoje sou gelo e pedra e penso viver bem assim. Corações abertos batem à porta do meu peito trancada. Tento pintar meu momento com tintas de anestesia, porém de nada funciona. Cada beijo, cada abraço, cada olhar, cada sorriso, cada discussão, cada momento, cada palavra, me envolvo em cordas reforçadas e quase sempre elas se prendem à minha garganta e dão nó, me tirando o ar. Minha natureza é resultado de muita agonia. A escolha que faço é somente um ato desesperado para sobreviver a dor incurável que sint...

"O RITUAL"

Não sei ao certo como tudo começou. Estou apavorado, correndo junto com outras pessoas para um lugar incerto. Todos estão desesperados. Não sei do que fogem. Eu não sei o que faço aqui. Há uma perseguição devastadora pelas ruas. Após me separar dos outros, me vi perdido em um bairro totalmente deserto. Casas de tijolos e de madeiras se misturavam diante dos meus olhos. O chão é de barro seco. Preciso me abrigar em local seguro. Caminhando pela rua já deserta, atentei-me ao céu e abismado vi uma noite jamais vista antes por outros olhos. Tudo parecia perfeito e no seu devido lugar, exceto o caos e o terror que ali se faziam presentes. Com medo de ser pego por algo que eu desconhecia, encontrei uma casa de três andares e ali entrei e me escondi. Ao entrar na casa sem iluminação, subi as escadas e fui até o terceiro andar. Lá havia uma cama e alguns moveis, me senti mais seguro. Enquanto curioso, vasculhava a casa em busca de algo que me protegesse, mas ao me virar, vi sentada à cama, ...

"O GRITO"

Parado na rua a noite em frente a uma grande praça, entrei por ela, pois nela havia uma passagem para o outro lado do Bairro. Era o único atalho. Na primeira vez que passei por ali, tudo parecia calmo, somente algumas pessoas conversando, alguns moradores de rua, mas a praça era bonita e iluminada. No segundo dia, eu estava parado no mesmo lugar da rua em frente a praça e atravessei por ali novamente. Algo mudou. Agora havia mais moradores de rua, pessoas estranhas, prostitutas e trilhas escuras, algumas das lâmpadas dos postes foram quebradas e outras ficavam acendendo e apagando. Então, enquanto eu atravessava, vi uma mulher que caminhava a alguns passos a minha frente, observei a volta e vi marginais no escuro dizendo palavras de terror e preparados para darem o bote na mulher. Apertei o passo e caminhei junto dela, ela me agradeceu e me disse que aquele lugar era assombrado e muito perigoso, assim atravessamos à salvo. No terceiro dia, eu estava parado no mesmo lugar da rua e...

"INDÍCIOS"

O espelho que vejo quase sempre me engana. Tira de mim qualquer esperança de ser um menino outra vez. Às vezes congelo meu tempo e isso é o que me conforta quando estou em crise com o meu ser. Gosto de congelar o tempo quando você me pede desesperadamente para eu não parar. E assim eu faço. Não paro. Não paro até que você descubra a si mesma.  Quando te vejo petrificada, olhando para o lado de fora da janela com pensamentos longínquos, balançando uma das pernas e roendo unha. Logo fico a admirá-la. Seus olhos me fotografam de cima a baixo e seus cabelos escondem-se presos por uma xuxinha preta. De repente vejo seus seios clamarem por minhas mãos e meus beijos.  -Sabe aquele seu vestido de casamento?  Quero que o vista! Quero vê-la vestida de noiva outra vez. Quero pega-la no colo e quero que me diga sim, quero também te dizer sim, não só hoje, mas pelo resto da minha vida.  Vamos ter uma nova lua de mel.  Vou pegar o carro e vou te levar comigo para...

"TIN TIN"

Queima os meus olhos a luz dessa tua beleza rara. Tu vieste com vestido de seda, vermelho paixão e levantaste o meu ponto vital com a sua calma me causando emoção. O lustre majestoso enriquece o teto da nossa sala. Na mesa, as frutas mais ricas em coisas boas, mas você é a minha fruta mais gostosa. Aprecio sua bondade em me presentear com o seu tudo. Seu corpo, sua alma, sua nobreza. Descolou-se a retina do olhar excitado desse homem maluco. A loucura tomou conta do meu controle e a tua exuberância me causou desassossego. Um efeito colateral da mistura erótica mesclada com amor de verdade. Enquanto tu viajas para respirar outros ares, eu viajo em seu corpo para respirar seu prazer. Minhas doces palavras te acariciam antes mesmo que minhas mãos tenham a sorte de tocá-la profundamente. Ao invadir sua intimidade, me perco em um labirinto de prazer intenso. Impulsiono-me em tua alegria e me acabo na tua magia. Reparo nos teus acessórios, seu penteado novo, sua roupa nova, suas unhas...

"O PRINCÍPIO"

Tudo aconteceu numa época distante. A casa ainda era outra. A casa estava cheia de familiares e amigos, o disco de vinil tocava na velha vitrola e todos dançavam felizes. Lembro-me de cada sorriso. Então me distanciei de todos e me sentei no sofá. Todos estavam reunidos na sala, este cômodo era pequeno, mas eles não me deram atenção em momento algum. Era como se eu estivesse sozinho no ambiente. Sentado no sofá em frente à porta, senti a necessidade de sair. Eu tinha apenas 5 anos de idade e assim eu fiz. Ao abrir a porta, percebi que as casas dos vizinhos, a rua, os carros, as pessoas, já não existiam mais. Todos simplesmente desapareceram. Curioso, fui caminhando em direção ao vazio e a escuridão que estava em todo o lugar. Caminhei, caminhei e fiquei a uma grande distância da minha casa. Parei, olhei para trás e percebi que só existia a minha casa no lugar. Ela ainda estava lá, acesa e com todos dentro. Então, me virei dando as costas para a casa e continuei caminhando. Até que ...

"O SINAL"

Entendi. Vou acabar me engasgando e tendo o meu esôfago perfurado por pequenas lâminas que pus na boca propositalmente para passar o tempo.  O motorista do ônibus quer me tirar à vida antes da hora, ele anda em alta velocidade e freia bruscamente nas curvas em um espaço cercado pelo alto mar.  O medo de me afogar é maior do que o medo de estar em fuga em uma lancha altamente potente, fugindo da guarda costeira.  Vi três mulheres muito atraentes, tentarem me seduzir. Uma com sensualidade, outra com brutalidade e outra com simplicidade. Acabei gostando das três, mas só uma me chamou mais atenção que as outras.  Minhas canções eram cantadas por todos e em todos os lugares. Comecei a gargalhar de alguém que queria me matar e o meu riso contagiou todos a volta e então todos riam do homem que queria me matar.  Desta vez, vou tentar decifrar minhas visões e sonhos, até logo.

"ADEUS SILENCIOSO"

O silêncio me sorriu. Deparei-me com o triste chorar dos olhos do adeus. O adeus é medonho, ele mal se expressa.  Tolice da minha intuição, achar que um simples silêncio é a forma mais nobre para que ninguém sofra.  O silencio é o vilão.  Quando o calar se apodera do que antes era diálogo amigo, tudo se torna confuso e claro para quem tem interesse em entender o que o pobre silêncio diz. Mesmo assim agradeço sua companhia, seu silêncio não me diz nada.  Quebrei o meu silêncio para demonstrar minha inteira preocupação com aquilo que decidimos chamar de amizade um dia.  Seja amizade ou não, devo dizer que foi bom, foi maravilhoso, foi divertido.  O silêncio talvez seja, talvez não seja, um adeus, mas a paciência me manterá a espera de um mero sussurro que me tire desse aperto de pensar que o seu silêncio é uma despedida.  Gosto muito de você mesmo que o silêncio resolva dizer adeus, aqui seguirei feliz.