"O PRINCÍPIO"
Tudo aconteceu numa época distante. A casa ainda era outra. A casa estava cheia de familiares e amigos, o disco de vinil tocava na velha vitrola e todos dançavam felizes. Lembro-me de cada sorriso. Então me distanciei de todos e me sentei no sofá. Todos estavam reunidos na sala, este cômodo era pequeno, mas eles não me deram atenção em momento algum. Era como se eu estivesse sozinho no ambiente.
Sentado no sofá em frente à porta, senti a necessidade de sair. Eu tinha apenas 5 anos de idade e assim eu fiz. Ao abrir a porta, percebi que as casas dos vizinhos, a rua, os carros, as pessoas, já não existiam mais. Todos simplesmente desapareceram. Curioso, fui caminhando em direção ao vazio e a escuridão que estava em todo o lugar. Caminhei, caminhei e fiquei a uma grande distância da minha casa. Parei, olhei para trás e percebi que só existia a minha casa no lugar. Ela ainda estava lá, acesa e com todos dentro. Então, me virei dando as costas para a casa e continuei caminhando. Até que estando bem longe e tendo a volta, nada e escuridão me deparei com uma enorme caverna cavernosa.
Assustado e curioso caminhei lentamente em direção àquele grande buraco e olhando atentamente, vi dois olhos grandes e vermelhos me observando. Aqueles olhos grandes eram de algo maior ainda. Fui caminhando para trás a medida em que ele se aproximava. Era enorme, era um Touro Grande, muito grande e Negro, ele caminhou em minha direção e com os olhos fixados em mim. Em seu focinho havia uma argola e ele não parava de dar fortes respiros e ainda arrastava uma de suas patas no chão.
Louco de medo, percebi que ele me atacaria com aqueles chifres enormes e então decidi correr e quando me virei, vi inúmeros cadáveres decompostos e ressurretos se rastejarem em minha direção. Desesperado, comecei a correr me desviando de todos eles, enquanto o Touro Negro corria atrás de mim.
Minha casa estava longe demais e os gemidos dos mortos e aquelas mãos podres e geladas tentando segurar minhas pernas e aquele barulho das cavalgadas do Touro Negro, tudo isso me deixou desesperançoso, mas não desisti de lutar pela vida. Enquanto eu ia me aproximando de casa, o touro ia se aproximando de mim, eu podia ouvir sua forte respiração e podia sentir o chão tremer com a força e o peso do Touro. Corri com todas as forças, me aproximei da casa abri a porta, entrei gritando e bati a porta. Joguei-me de qualquer jeito no sofá, gritando e chamando a atenção de todos, mas ninguém me ouvia. Olhei para o lado de fora da porta de vidro e vi o touro embaçando o vidro furioso comigo. Então, ele se foi e vi tudo lá fora voltar ao normal.
Este é o princípio de tudo.
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