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Mostrando postagens de abril, 2018
Favo da boca favo de mel. Nariz arrebitado aponta para o céu. Esmalte de dente em branco verniz. Lábios repuxados cavando covinhas delicadas. Olhinhos apertados falando alegria. Lançou-se veloz em meus braços. Apertou-me feliz e não parava de chorar sorrindo. Á tempos não nos víamos. Matou sua saudade beijando minha boca, minhas bochechas e meu rosto inteiro. Não entendo o que diz. De tão feliz relata frases desencontradas. Te amo abelhinha dourada.
Órfão de amor estou. Internado em um internato isolado. Vagante na trilha da esperança. Cabeça baixa enquanto o coração se estreita.  Choro trancafiado em solitária. Olhar abatido, pensar adormecido. Tempestade se forma no dia ensolarado. Que venham os melhores dias.
Como véspera de fatos. Fotos ou retratos falados. Cedro de informe sobrenome. Festas horizontais nas esquinas dos Portos. Cais em caos.  
Fronteira da emoção. Cardápios da imperfeição. Soneca boneca alcançou redenção. Entrada de uma saída perdida. Levita em horror o dissabor. Vontade tumultuada na avenida. Um ferreiro criando ardor.
Quero tocar a cachoeira rasteira. Agora afogar os meus pés nas pedras que massageiam. Quero ver o verde ao redor medicinar os meus olhos atentos. Pentear com os dedos cada fio de água dos cabelos dessa cascata. Deitado flutuo por ser levado pelas margens até a queda adiante. Refresco de corpo e alma. Energia viva que emana vida em contato natural. Viva a natureza.
Paragrafo da sorte. Parafusos de uma conexão mais forte. Súditos de ombridade. Para-raios e paradigmas. Arqueólogos da vaidade.  
Bem sei dos seus devaneios. Loucuras perfeitas de um louco saudável. Sabe igualar-se aos insanos mascarados. Sem medo de ser como os excluídos. Infiltrado veterano na dor de ser invisível. Venenoso como hipocrisia epidêmica. Não basta ser a cura. Tem que tornar real a libertação do ópio da mente.
Montado no cavalo do que amanhece. Dia após dia romance chamou-me. Enlouquece o sonhar de um mortal. Suas luzes em neon sancionavam retardo desfalecido. Novembro esquisito. Grande festa no salão da vida. Sirva os convidados. 
Fumaça da boca. Saxofone suave. Pensamentos percorrem por ruas de uma casa fechada. Vento gelado balança cortinas. Chaleira assovia chamando. Chá de melancolia na xícara de porcelana. Adoçante perigo amarga ainda mais a angústia da sala. Desviro o chinelo de dedo. Deito-me no sofá e sonego os impostos da esperança. Ficarei aqui por mais horas. 
Delimite seu infinito. Imponha-se diante do seu impossível. Encha seus pulmões, expanda seu peito apertado e grite poderosamente. Agarre a linha do seu horizonte e dê forma a ela. Inspire a grandeza do Céu e expire a vastidão do Mar. Não se conforme com tão muito. Desafie-se. Respirar não é suficiente, tem que haver intimidade com a vida. Tem que entender o verdadeiro sentido de amar. Plenitude de simplesmente ser. Faça seus próprios milagres acontecerem.Você pode. Dê cor e sentido ao transparente dos seus dias. Vida regressiva. Contagem contínua e ininterrupta. Não deixe para o depois, não sabemos se ele ainda existirá quando o próximo dia chegar.
Quero ver os teus dentes branquiados brilharem felicidade outra vez. O franzir da sua testa quando invocada com meras brincadeiras. Quero de volta aquele seu jeito infantil de me alegrar. Seu olhar fixo e sério advertindo-me nas pequenas falhas cometidas. Saudade de pegá-la desprevenida, vestida com a minha camisa preparando o café. Quão bom eram as nossas conversas malucas durante as madrugadas. Cócegas e apelidos carinhosos. Quantas vezes me senti um deus aliviando suas dores com o meu colo. Foram banhos inesquecíveis aqueles nossos. Camas quebradas, invasões de intimidade, amor aos olhos do prazer, fogo e carinho em tantos momentos únicos. Em restaurantes e bares, drinques e jantares, danças de rosto colado. Te amei incontrolavelmente controlado. Quero dar-te outros ramalhetes poesias. Nestas planícies sensíveis de tua boca quero repousar novamente. Fonte de calmarias e confusões tu estás tatuada na minha existência.
Fogueira ardeu madeira. Graveto mexia brasa que explodia fogo. Violão cantarolava enquanto fogueira quentura estalava. Madeira seca alimenta a chama que afasta o frio das folhas cama. Palmas das mãos íntimas do calor. Mais galhos quebrados para engrandecer este fogo baixando por exaustão. Queima-me fogo da vida. Incendeia-me por inteiro. E faça-me renascer outra vez.
Na lama da terra de gotas viajantes. Quem calçará estes pés violados? Afunda no quente molhado raiz de pegadas. Macia tão lisa á escorregar pelas vindas dos passos meus. Cócoras para subir a descida da chuva. Raios atacam e acendem os meus órgãos debaixo da árvore do que penso. Barulho assustou peregrino. Peregrino assustou o temporal.
Entreguei meus joelhos ao solo. Deixei que os meus ouvidos ouvissem. Como um papel amassado estava o meu peito. E nele um poema vil arranhava-me em reflexões. Meu corpo, uma âncora. Pesado como fundura de mar. Na fenda estreita sentindo falta. Sentindo falta de nada. Falta de tudo. Eu só queria me entregar. Só um pouquinho ser engolido pela paz que vinha de todos os lados. Menos de dentro. Meus olhos sangraram dor. Uma dor ensanguentada e aprisionada no tempo e no orgulho. Foi-se o tempo que jamais voltará. Não posso morrer sem viver. E muito menos viver uma morte diária causada pela minha insolência.
Calendário envelhecido. Ultrapassado por vir que jamais chegará. Estágio avançado de angústia imóvel. Probabilidade falida de um novo amanhecer. Coma profundo da esperança ilusão. Vulto hospedeiro caçador do meu fôlego. Aprisionado projeto despudorado. Falência múltipla da sensatez. 
De textura rústica fez-se a parabólica da sua caligrafia declamada. Deflagrou-se pigmentos rajados em Satélite natural. Atração sugou paixão oculta. Amante secreto descrito em decreto firmou sua causa. Semeou cartas e amassou tantas outras. Coração corajoso saltou para fora do peito. Em atômica explosão varreu as Cidades de sua possível alma gêmea. Toda a atenção voltou-se para seu grito apaixonado. Camada de ozônio deu brecha para uma nova história de amor. Fissuras da poesia cantaram na entrada do túnel da aliança. Tudo novo se fez outra vez.
Jambo de pele.  Penhasco capilar. Melanina impregnada odorizada em veneno de cheirar. Saboneteira de mel com frutas vermelhas. Exótico Diamante negro a admirar-me. Exibição de peculiaridade em mestrado de beleza rara.  
Consegue sentir isto? Apague da sua memória todas as lembranças tristes. Limpe seus pensamentos. Abra seu coração. Respire calmamente bem fundo. Inspire e expire. Inspire e expire novamente. Eleve seus pensamentos a lugares sublimes. Pense em onde gostaria de estar neste exato momento. Sinta o que gostaria de sentir. Esqueça o mundo lá fora. Desligue-se do que está ao seu redor. Siga o fluxo do seu interior. Para ter êxito, perdoe a si mesmo. Ame-se. Sinta o seu corpo mais leve. Ele flutua e te leva para onde deseja. Consegue sentir agora? Isso que sentes é a força que há dentro de você, capaz de mudar a direção da sua vida. Essa sua força é capaz de transformar os dias maus. Apenas viva.
Inverno vermelho. Gelado sangue á transitar nas veias do contínuo existir. Congestionamento firmado nas indecisões mais cruéis do valor. Ursos polares sem lares. Um botânico a sorrir novas artes. Pais de famílias perdidos em bares. Branco congelante com púrpura penetrante. Resfrio reflexão ao ver nossas ruas banhadas de um vermelho inverno.
Polo manancial. Fulguras em arcos na tela dos sentimentos. Traços vestidos com cores de pinceladas. Alma que fala através da sensibilidade das mãos. Na parede da sala ecoa turmalina. Tapete pelúcia e portas abertas. Feixe amarelo namoro amazônico. Nenhuma plenitude pronuncia essa atmosfera.
Quem me dera ser um pássaro. Ser livre e abençoado. Ir a qualquer lugar sem ter hora para voltar. Pousar e repousar em árvores altas e de folhas verdinhas. Petiscar frutas e sumos saborosos. Aquecer-me nos ninhos do aconchego. Tornar-me passageiro do vento a soprar para o longe. Pendurar-me nas asas abertas rodopiando alegre. Quem me dera ser um pássaro. Beijar as flores mais belas nas manhãs dos próximos dias. Admirar do alto a paisagem do paraíso virginal. Cantar para que os moradores das fazendas bocejem sorrindo. Quem me dera ser um pássaro. Acasalar em casas de galhos fortes. Rabiscar as margens das represas naturais. Quem me dera ser um pássaro. Vida plena. Liberdade salvadora de espírito. Quem me dera ser um pássaro. Não ver mais concretos e ser abstrato na leveza do ar. Fugir para o oposto dos subúrbios. Quem me dera ser um pássaro como os outros lá fora. Quem me dera ser um pássaro fora desta eterna gaiola. Quem me dera ser um pás...
Quero mais um algo a mais. Algo a mais para ter paz. Negado foi meu desejo depois. Fui ao fundo procurar por respostas. Mas tudo a minha volta me virou as costas. Sobrevivi a imaturidade e não me deixei levar pela idade. História e museu tornou-se minhas memórias. Confuso e contrito clamei por ajuda. Olhei para o alto tomado por chuva. Meu ser concentrou-se e logo chegou a Primavera.
Pelos murais da torrente se esvai a soberba. Limos e sândalos junção aparente. Vazante encontro de canais subversivos. Agressivos e monstruosos chacoalham e molham toda a gente. Talvez não seja a hora de ser tão prudente.  
Pombos na praça. Grãos alimentos. Fragmentos de arraias e garças. Infantos alentos. Rustico trago em cachimbo memorial. Triunfo vedado um tutorial. Trafego atordoado em disparos de canhões. Vitória aguerrida milhares frações.
Essa estratosfera trouxe-me o flagelo da roda gigante. Espaço unificado menosprezado pela magia das voltas que o mundo dá. Uma subida contínua da vaidade testada pela força de se olhar no espelho. Confronto insano, orgulho ferido, ego destroçado. Paragrafo sabatinado obstinado em meio termo.  Por onde andará o ônibus espacial desta breve reflexão?