Entreguei meus joelhos ao solo.
Deixei que os meus ouvidos ouvissem.
Como um papel amassado estava o meu peito.
E nele um poema vil arranhava-me em reflexões.
Meu corpo, uma âncora.
Pesado como fundura de mar.
Na fenda estreita sentindo falta.
Sentindo falta de nada. Falta de tudo.
Eu só queria me entregar.
Só um pouquinho ser engolido pela paz que vinha de todos os lados.
Menos de dentro.
Meus olhos sangraram dor.
Uma dor ensanguentada e aprisionada no tempo e no orgulho.
Foi-se o tempo que jamais voltará.
Não posso morrer sem viver.
E muito menos viver uma morte diária causada pela minha insolência.

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