O Estado do Estar

Turvo é o que vejo. Explosão de cores fortes em tons de fogo no cinza escuro do céu furioso. Torre estreita, Arraia em cruz, a lua de perto, as dores passadas. Ao som da lembrança me envolvo na dança e calo meu grito e corro pro riso. A trilha é o mato, o mato é o medo, o medo é a força, a força é a transformação, a transformação é o abismo, o abismo é o começo e o começo é onde termina o meu controle sobre o meu próximo passo. Ser o que sou é como amar o inexplicável e ao mesmo tempo correr do inevitável. O centro de tudo. Onde tudo começa. É como uma nascente de confusas estranhezas, borbulham incansavelmente misteriosos sentimentos. Minha voz já não é mais a mesma. Os meus pensamentos são escuros, a saliva se ausenta, o calor se alimenta e esse corpo que sempre me abrigou então resolve contribuir. Os olhos mais próximos e mais atentos se expressam através das bocas enfatizando uma preocupação. Já não sei mais se sou dois em um ou um em dois. Não sei se sou um em vários ou vários em um. Apenas represento o que sinto. Se sou amável, então sou. Mas se sou o "LOBO NEGRO", então também sou. Nem sempre o real é real. Nem sempre o vazio é vazio. Percebi que o óleo e a água puderam enfim se tornar homogêneos, ocasionando quem sou agora. Uma voz amiga, curiosa e cautelosa, sempre pergunta: Você esta bem? Aconteceu alguma coisa? Sua voz está diferente! O seu olhar está esquisito! Você me assusta!
Entretanto, a paz é o que busco. O amor é o que renego. A paixão é o que sempre quase consegue me convencer. A amizade é o que procuro e o mistério é o que sou. Ao olhar para dentro de mim vejo algo que ninguém em toda a existência jamais viu. Mesmo aos 28 anos de idade já conheci muitas coisas, entre elas: pessoas e sentimentos, mas mesmo nestes anos de existência, jamais conheci a mim.

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