A chave do medo
Meia tarde. Percorro com os olhos ao longe do perto e quieto vejo sobrevoar a minha cabeça as lembranças perdidas. Esse cheiro me diz que o café já está pronto. É hora de ler e escrever. Uma cadela de seios caídos por amamentar, aperta minha carne com os seus caninos raivosos. Minha mão adentrou em sua boca e segurou firme o seu maxilar. A dor é um aprendizado. Minha dor é saber que vivo em dois mundos. Um me faz fraco e o outro me faz forte. Para cada ser vivente e para cada momento, tenho a oportunidade de ser algo novo. Rajadas de meteoros rasgam meus pensamentos, delírios sexuais alteram os meus batimentos e a sede de beber prazer, me resseca a boca. Essa pequena casa de 4 x 4, faz parte do enfeite do lar dos adormecidos, onde o tempo é nublado e as gramas são maltratadas. O cheiro desse lugar é diferente e estranho. Os corredores desse labirinto são estreitos e abafados. Estantes e gavetas pra todo lado. Visitantes começam a aparecer junto com a escuridão da noite. Agora será impossível encontrar a saída. Os portões estão trancados e eu nem chaves tenho. Ninguém me toca. Ninguém me dirige uma só palavra. A lua de tão cheia, transborda luz sobre o meu corpo e por todo o resto. O pedido de fúria me enforca, sufocado aperto os meus olhos e a minha concentração se centraliza à mistura de ódio, raiva e dominam a minha coordenação. Agora, sei que já não há mais espaço para mim, porque o meu humor e tudo que sou já não é mais o que era antes. Sou completo, pois consigo ser muitos em um e consigo ser também, todos os sentidos alterados e concentrados em um mesmo corpo. Vou ver se eu desperto. Para que eu não permaneça neste sonho real.
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