"RAIVINGANÇA"

A vingança é o veneno que mata aos poucos, é como a prisão que irrita os loucos, em uma fase absurda de ilusões esquisitas. 
A febre atormenta a carne, o tempo congela, os membros envelhecem, o medo não existe mais. 
Os sentidos navegam em mar aberto, estreitando o relacionamento do real com o imaginário. As sombras iluminam os meus pensamentos, e vejo o meu personagem invertido em cada espelho que me deparo. 
Me embebedo de água quente, que faz arder minha mente alterando os meus sentidos e fazendo ferver o meu sangue animal. 
Perseguido por interrogações, vou sapateando em cacos de vidro com malicioso deboche que interfere na minha raiva. 
Sinto-me desconfortável com a ambição do meu desejo de cobrar a quem deve. Numa amizade sincera, dialogo com a minha falta de barulho e vou tentando implodir o meu orgulho de saber que sou forte quando estou fraco. 
Trancada a jaula da boca, saliva na roupa e os nervos dos olhos repletos de sangue, a fúria envolvente, loucuras da mente, revolto vazio que preenche o instante. Enquanto não mato a minha vontade de sobreviver sobre a morte do mal, mato o meu personagem que se multiplica de um jeito anormal. 
Nem a camisa de força deteve a força do meu pensamento. 
Na verdade, sou louco demais para tanto talento.

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