A CASA DOS NÃO VIVENTES

Quem pode falar sobre a morte?
Quem já esteve do outro lado?
Quem já sentiu o cheiro ou já viu o estado em que eles se encontram?
Quem já os viu voltar inúmeras vezes para tentar entender o que de fato aconteceu?
Os mais recentes são cobertos por interrogações. Ficam ali meio que inconscientes sem ter a convicção de qual será o próximo passo.
Alguns me cobram porquês. Por quês, porquês, porquês e porquês.
Não sou a resposta. Talvez eu seja somente o autor, mas não a resposta.
Os motivos pelos quais eu gerei estas vidas invertidas, não são significativos ou positivos.
São unicamente a escuridão e a solidão profunda de um Eu adormecido prestes a despertar.
Reconheço que os porquês, não são por acaso.
Talvez eu seja a própria resposta, mas tenho a impressão de que não sou corajoso o suficiente para ser a resposta que eles esperam que eu seja.
Bem sei que nada que eu diga mudará o presente.
Sei também que a minha entrega não serviria como passagem de volta para cada um deles. É por isso que todos os dias sou levado a casa dos não viventes. Querem que eu sinta o que sentem.
Querem que eu esteja onde estão.
Peço que tenham paciência, pois um dia chegará o momento em que poderão enxergar a luz da justiça, enquanto eu serei o mais novo hospede desta casa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog