NA CHUVA

Essa sua cor. Essa sua pele.
Esse corpo molhado com a roupa colada, isso me excita.
Chuva amiga. Te vendo sorrir e correr em todas as direções me convidando a dançar ao som das gotas na terra, fez com que eu me sentisse um garoto outra vez.
O cheiro da chuva e terra molhada adoçava a nossa dança.
Seu olhar alegre. 
O beijo. O abraço molhado. Tudo tão mágico.
Percebemos que roupas não combinavam com o momento e então deixamos que a poderosa chuva lavasse a nossa nudez e a nossa alma Feliz.
Tudo a volta deixou de existir. Rolamos na lama. Fizemos uma luta acirrada, ali mesmo, para descobrir quem dava mais prazer ao outro.
Estávamos nus de fato, sem lembranças, sem cobranças, sem perguntas, sem nãos e porquês, sem papo de sentimentos.
O que sentimos um pelo outro expressamos ali, o momento era nosso.
Apenas deixamos acontecer e foi maravilhoso. Não houve interrupção de ambas as partes.
Apenas olhares profundos. Apenas toques sinceros.
Apenas sons de um real prazer.
Quando findamos, ficamos deitados olhando para o céu e deixando a chuva nos molhar um pouco mais. Algum tempo depois ela se levantou e eu também. Olhou bem fundo nos meus olhos, me deu um beijo demorado, sorriu pra mim, pegou as roupas no chão e então partiu correndo e sorrindo.
Ela não me dirigiu uma só palavra, foi a última vez que a vi. A chuva se foi, mas ela vive em mim até hoje.

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