Um casebre com retoque de antiguidade.
Jardim morto, folhas mortas.
A porta se abriu com ruído de boas vindas.
O odor de mofo recepcionou-me acompanhado de muita poeira e casas de aranhas.
Pelo chão, o quebrado do porta-retrato.
Fotografias envelhecidas e desbotadas decoravam a parede junto ás imagens em molduras.
Na escada faltava degraus.
Nas janelas faltava vidros.
De repente, uma tempestade anunciou sua chegada.
Não havia energia elétrica na casa, havia somente o clarão dos raios.
Com o Céu escuro e a casa escura, procurei nas gavetas algo que pudesse usar para iluminar o ambiente. Na procura incansável, encontrei algumas velas.
Com tanta chuva do lado de fora, restava-me a opção de passar a noite na casa.
Não havia mais lençóis ou cobertores nos quartos, todos estavam puídos e esfarelando-se. Daí usei meu sobretudo como cobertor e minha mochila como travesseiro.
Pus uma vela ao meu lado e comecei a ler um livro, já que a casa tirava-me o sono.
Quando dei por mim, percebi que havia adormecido sem perceber. Levantei-me, desci as escadas e procurei algo para comer, pois em minha bolsa de mantimentos havia alguns grãos e água mineral.
Neste momento, escutei um barulho na janela dos fundos. Com receio de que pudesse ser algum vadio ou algum animal, apressei-me em verificar o que havia causado tal barulho.
Quando cheguei nos fundos da casa, a janela estava aberta. Ventava e chovia muito ainda.
Imediatamente, associei o ocorrido com a tempestade. Fechei a janela.
Quando retornava para o quarto, ouvi um novo estrondo, voltei para verificar e novamente a janela estava aberta. Contudo, quando a fechei novamente, vi do lado de fora uma pessoa a me observar, era uma mulher, ensopada de chuva.
Minha reação imediata, foi de ajuda-la e tira-la da tempestade.
Abri a porta e sai correndo á procura dela no meio daquele jardim tomado de mato alto.
Eu a chamei inúmeras vezes, procurei por cada metro do quintal, mas não a encontrei.
Isso foi desagradável. Voltei para dentro da casa. Fiquei um tanto nervoso com a situação, pois com a tempestade o tempo esfriou e eu estava muito molhado. Tirei a roupa, estendi nas paredes e me cobri com duas camisas que me restaram na mochila.
Comi os grãos, bebi a água, deitei-me e tornei a ler o meu livro.
O que havia acontecido, não me saia da cabeça.
Comecei a pensar em loucura ou assombrações.
Tudo parecia tranquilo, quando de repente, uma música começou a tocar no andar de baixo.
Não havia ninguém nesta casa velha e abandonada, então como poderia tocar uma música tão linda neste momento? Perguntei-me.
Levantei-me depressa, mas desci as escadas bem devagar.
Cada passo que eu dava em direção ao andar de baixo, a canção ia aumentando o volume.
Cheguei no andar de baixo e percebi que a música vinha de uma porta entre aberta na ante sala.
Me aproximei e abri a porta bem curioso e preocupado. Então, avistei a mesma mulher do quintal, sentada de costas para mim, tocando um Piano e cantarolando. Eu falei com ela, mas ela não me respondeu, continuou tocando e cantando.
Dei mais alguns passos na direção dela e quando me aproximei o suficiente, estendi a mão e toquei nos ombros dela, e disse:
- Olá Moça! Você está bem?
Ela nada disse, mas parou de tocar e cantar. A roupa dela estava encharcada da chuva.
Eu muito estressado com a situação, segurei no braço dela e disse em voz alta:
- MOÇA! NÃO OUVIU EU FALAR COM VOCÊ?
Quando a puxei pelo braço e ela virou-se, eu fiquei muito espantado e comecei a andar para trás.
Ela não era um monstro, muito menos uma assombração. Ela era apenas um sonho que eu estava tendo. De onde surgiu a casa, não importa. O que vi no rosto da moça, não importa.
O que importa agora é que tudo não passou de um sonho.
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