Afonso dedilhava seu choro sem derramar uma só gota de lágrima.
Solitário na grande mansão tocava Piano como se fosse a última vez.
Derramou sentimento e alma em notas dramáticas e sombrias.
Sua voz estava nos dedos e nos movimentos das mãos.
Elas iam de um lado a outro. Horas sutilmente. Horas de maneira expressiva.
Afonso não podia brincar com o tempo.
O relógio de sua parede o colocava contra o seu próprio destino.
Seu corpo já envelhecido, sofria de um mal físico.
Afonso não queria saber do mundo ou da dor.
Ele só queria escoar sua vida de uma maneira nobre, fazendo o que mais amava.
Afonso passou seus últimos dias de vida sentado de frente ao seu velho Piano.
Tocou grandes obras.
Ele compôs verdades sobre sua solidão.
Teclou as últimas notas do seu sentimento sem semitonar.
E o mais belo de tudo.
Afonso deu seu último suspiro com um leve sorriso em seu rosto.
Debruçado em seu velho amigo, confiou-lhe sua partida.
A morte emotiva, aplaudiu a iniciativa de Afonso e levou-o em leito de nuvem para o paraíso dos grandes artistas.
Comentários
Postar um comentário