Eu nu.
Cidade deserta.
Não havia dia nem noite.
Não havia Sol nem Lua.
Eu nu.
Vaguei pelos calabouços do mesmo navio.
Um corpo marcado por ódio.
Eu nu e sem nome.
Pisei em destroços do Passado.
Um sino badalou nas esquinas da dor.
Eu nu e os tambores ruíram.
Punhos e tornozelos presos ás correntes da alma.
Saudade do meu nascimento.
Saudade do meu povo.
Eu nu pelos córregos a me banhar.
Eu nu de corpo e de espírito. 
Eu nu pelos irmãos que se foram.
Eu nu pela coragem de me manter vivo.
Eu nu pelos filhos dos meus filhos.
Não preciso mais me esconder.
Acabou.
Eu nu para todo o sempre.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog