Vi tristeza em seu olhar.
Angustiado desacelerei os meus passos.
Sentada na porta de sua casinha humilde, pernas dobradas e roupas furadas.
Não havia dentes em sua boca, mas nem assim lhe faltou um sorriso amigável.
Mãos calejadas. Um lenço em sua cabeça.
Pele enrugada cheia de histórias para contar.
Chão de barro e pedras. Casa sem portas e sem janelas.
Panelas vazias. Não havia lenha para queimar e nem alimentos para comer.
O que se via era a água barrenta e nada potável que enchia seus baldes.
Água essa, retirada de um lago á beira da morte.
Mesmo tendo uma tristeza em seu olhar, esta senhora tão humilde demonstrou gratidão pela vida.
A profundeza daquele vazio transformava-se em esperança a cada sorriso de alma.
Crianças nuas e de pés descalços saiam aos poucos da casinha.
Barrigas grandes e corpos magros. Com olhos profundos e marejados compostos pela fome, insistiam em observar-me atentos.
Comovido, dei-lhes de comer e beber. Sentei-me ao chão de terra e comecei a brincar com toda a graça e felicidade que o momento proporcionava-me.
Naquele momento, descobri que temos muito a oferecer, enquanto outros nada tem para sobreviver.
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