"A TROCA"
O congestionamento da cidade rouba a paz e a paciência do povo.
No vasto Céu, nota-se o túnel de vento forte afunilado entre giros horários e anti-horários de baixo para cima.
No centro deste efeito surpreendente, era possível notar o útero do Céu.
Havia uma canção que se ouvia em toda parte.
Era como se lá estivessem milhares de coristas afinados milagrosamente e acompanhados por inúmeros instrumentos de sopro.
Pelo planeta, uma fera horrenda apavora aos que ficaram para trás.
Este ser é feito de partes de outros seres e só sei que sua calda é idêntica a de um escorpião.
Contudo, acabo de perceber a importância de estar aqui.
Agora sei o porque de todos os pesadelos e o porque de todas aquelas sensações horríveis.
Chegou a hora da troca.
O melhor é deixar de ser o que aprendi a ser e deixar essa coisa despertar dentro de mim. Só assim terei alguma chance de vencer.
Por longos anos convivi com algo anormal em mim.
Algo grande, forte, escuro e iluminado que sempre tentou ganhar espaço na vida que recebi para viver.
A troca já será a primeira batalha a ser vencida.
A Besta menospreza a realidade da minha existência. Isso porque vive a milhares de séculos luz presa e domesticada pelo pai do Mau.
Foi criada para marcar com dor criaturas descartadas por desobediência e falta de crença.
A troca me fará ter uma aventura jamais vivida em vida.
Meu fim, já sei qual é.
O que fiz, todos saberão.
Mas para onde vou, certamente não sei e ninguém saberá descrever.
Eu sou a Troca.
Comentários
Postar um comentário