"ANDARILHO"

Agora espero que minhas mãos consigam expressar o que sinto por dentro.
Meu peito arde em fogo e minha mente se refrigera na mais estranha beleza do abismo inferior.
Meus pés viram plantas e suas raízes se prendem a caminhos virgens.
Nas margens do litoral isolado, alimento meus olhos com o crepúsculo que flutua sobre o horizonte.
Nas asas das corredeiras trancafiadas por diamantes rochosos, sinto-me voando aos segredos das florestas.
Túneis de árvores e flores acariciavam os meus pensamentos encabulados.
O toque de suas mãos macias e perfumadas em meu rosto era o que se sentia em transe.
A vista ao longe era de cumes recheados por neve. Embora entorpecido pela beleza natural, recebi dos lobos cinzentos durante o trajeto, muitos uivos de boas vindas.
Seus caninos amostra e seus focinhos enrugados, mostravam-me a fome da fúria na liga que gotejava através dos uivos e latidos.
Minha voz ecoava pelo vazio do nada.
O ir e vir do vento plural me retornava aos teus suspiros fervorosamente.
Lembro-me das tuas implicâncias e dos teus sarcasmos animadores.
Rejuvenesci com a pureza dos beijos das águas doces.
Da nascente de amor à fonte de inspiração e paz, ignoro minha prepotência e vanglorio o rascante afeto entre os mundos opostos.
Escalando sua maravilha física, incorporo nos seus poros e preencho seu inverso de lembranças que jamais esquecerá.
Seu querer irá me querer novamente, sua boca irá me sorrir bem contente.
Escrituras sinceras nas vésperas das "FERAS".
Lua cheia. Um lar invasor, que apavora e causa dor. 
Há prazer nesta dor.
Sinto que já não sou mais o que aprendi a ser.
A voz da minha escrita entoa nas muralhas do outro lado.

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