Nesta época, justiça nem sempre era feita por Lei. Havia um homem sem nome. Todos o temiam, pois fazia justiça com as próprias mãos, e sumia sem deixar vestígios. 
Este Ser (a quem horas chamavam de assassino, horas chamavam de fantasma), aparecia repentinamente por entre neblinas e multidões, ferindo suas vítimas, fazendo-as sangrar até a morte, e findava sua sentença deixando nelas sua assinatura. Ele fazia um sinal de cruz no peito de seus condenados, utilizando um punhal altamente cortante. 
Este "homem" passou a ser procurado por autoridades, e por meros cidadãos da região. Os religiosos apressavam-se em dizer que este era o próprio diabo que vinha ceifar as almas dos seus súditos. O País entrou em colapso. O medo e o pavor fez com que as famílias se trancassem dentro de suas casas. Ruas e fronteiras tiveram o reforço de homens armados com rifles, lanças, espadas, foices, enxadas e outros objetos. Olhos alargados se atropelavam. Forte respiração e aceleradas batidas de corações colidiam-se. O Ser ao qual procuravam, não era um assassino qualquer. Ele não executava suas vítimas aleatoriamente. Ele simplesmente as escolhia a dedo como resultado de suas graves infrações. Políticos, Coronéis, Capitães, Empresários, todos homens influentes e poderosos em suas Províncias. No entanto, todos executados pelo assassino fantasma. 
Em seus históricos de vida pública e pessoal: Corrupção, exploração, roubo, assassinatos de pessoas de bem, ameaças, contrabando, tráfico de pessoas, agressão física e moral, e etc. 
Alguns anos se passaram, e apesar dos povos terem se acostumado com a ideia de que o assassino fantasma não poderia ser pego, novos assassinatos continuavam a acontecer. Grandes estudiosos e detetives, uniam forças para tentar desvendar tal mistério. 
Em um determinado dia de Céu muito nublado, pessoas iam e vinham pelas ruas da Cidade. No Centro desta mesma Cidade havia uma Praça, e nela havia uma Capela, e ali, um padre acompanhava um comício que era orado pelo coronel da região. Ele pretendia alertar o povo sobre os ataques do assassino fantasma, pedindo que evitassem sair de suas casas durante a noite. Assim, aproveitou a oportunidade para cobrar altos impostos do povo com a falsa proposta de protege-los do tal assassino. Na Praça estavam em formação os soldados do Coronel, acompanhando o discurso, atentos a tudo e a todos. O que ele não esperava é que um de seus soldados armados, era um impostor. 
O comício terminou, e quando o Coronel ia caminhando com sua tropa, o soldado infiltrado saltou em sua direção, desferindo inúmeros golpes de punhal em seu peito. Os soldados atônitos, tentaram interferir na ação do assassino, disparando tiros contra ele, mas fazendo jus ao nome que lhe foi dado, o assassino sumiu dentre a multidão deixando o Coronel banhado em seu próprio sangue. Um pânico tomou conta da Praça. Entre as muitas correrias, gritos e carruagens em disparada, os soldados espalharam-se pelo local na tentativa de encontrar o assassino. Em meio a tanto caos, um homem caminhava lentamente na direção do Coronel, ainda agonizando. Ele portava de uma indumentária fina e elegante, em suas mãos podia se ver o brilho da lâmina de seu punhal. Era ele, era o assassino fantasma! Ele iria findar o que começou. Tentei ver o seu rosto, mas a aba de seu chapéu estava na altura dos olhos. Ele parou diante do Coronel ao chão e o olhou profundamente em seus olhos. O Coronel ainda agonizante arregalou os olhos enquanto tentava chamar por ajuda. O assassino foi terminantemente decisivo, cravou o punhal no coração do Coronel, limpou-o nas vestes do próprio corpo já morto, e então rasgou a pele do tórax fazendo uma cruz, e saiu caminhando em passos largos.
Este existiu em outras épocas, e a quem diga que existe até hoje.   

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