Em tom de cinza se mostra a tarde e o vento que varre a tristeza e a cidade me traz as verdades que nesse instante eu vejo rascante a luz no semblante do Céu inebriante.

O gosto amargo de amor dolorido me vem nesse instante o passado esquecido, eu luto e reluto com minhas fraquezas para não me iludir com singelas belezas, reflito aflito no tormento esquisito, aquele que me toma a paz sem cortesia me tornando prisioneiro de muita covardia.

Pensar que doei-me por diversas vezes esperando ter um bom resultado, e no fim desta via ausente alegria, o que mais se notava era um pobre coitado. Das rosas mais belas ao repouso do sol mais cansado, meus olhos brilhavam e lacrimejados formavam os rastros de espelhos quebrados, que em tantos pedaços refletiam as luzes de milhares de estrelas que cadentes choviam enquanto as batidas do meu coração já não mais se ouviam.

O tempo foi o remédio, a espera um tédio, a saudade uma angústia, a realidade uma dor que não se ausentava. Com o peito rasgado e o sangue entornado fiquei com o meu coração na mão todo amassado, um dia a melodia que encanta e irradia felicidade me sobreveio com gostinho de liberdade, já não faço mais parte do mesmo eu que eu era em busca de uma, entre muitas cinderelas, já não há mais velas acesas, o jantar acabou, o vinho se entornou e o meu sentimento suspirou.

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