O cheiro da chuva
Adoro sentir o cheiro frutuoso que anuncia a chegada da graciosa chuva, da janela vejo ela cair com força, e ouço a harmonia das gotas com a terra que se encharca de brilhos molhados, aromatizando o que chamo de vida e pondo em minhas narinas as melhores lembranças de um fim de tarde.
A cortina de pequenos brilhos e a bola de luz gigante, foram substituídas por raios luminosos que rasgam as cinzentas e carregadas nuvens regadoras e que como flashs assustam as nossas inseguranças com forte e grave entonação vocal, queimando nossos lixos elétricos e impondo em nós a sensação de que o objeto que nos põe cara a cara com nós mesmos está com frio nos fazendo cobri-los.
Esse é o momento em que enquanto todos correm para se proteger, eu corro me desprotegendo das minhas roupas e exponho a minha nudez a um banho de cura e infinitas sensações, entre elas o frescor da liberdade e da saudade de sermos puros e vivermos da forma como viemos ao mundo, sem me importar com a hipocrisia dos oprimidos de atitudes sensatas e dando espaço ao direito de ser além de natural, feliz com a realização dos sonhos de muitos.
Cansei de viver carregando o peso da burrice dos meus antepassados. E também cansei de vestir o que eles acham que é bom para todos.
Vou viver a vida cheirando a terra molhada e me banhando nas gotas das chuvas, pois assim estarei fortalecido de paz e poderei ver florescer o amor que dentro de mim não para de crescer.
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