O Cão
Em uma noite de um dia qualquer, eu caminhava pelas ruas de um determinado bairro. Eram ruas com poucas casas e casas de muros bem altos. Notava-se que por detrás das nuvens escuras e do forte vento frio, sairia uma Lua cheia.
Avistei uma casa grande ainda em obra, com vários cômodos e decidi pedir abrigo. Toquei a campainha por três vezes até que um senhor (O dono da casa), me atendeu em sua porta perguntando:
- O que desejas meu caro jovem? E observando a Lua que se mostrava aos poucos, respondi:
- Boa noite senhor! Me chamo Marcio! Sou um andarilho, venho de muito longe e não tenho onde ficar! O senhor poderia me ceder um lugar para passar esta noite?
O dono da casa logo apressou-se em dizer:
- Meu caro jovem, não costumo abrigar desconhecidos em meu precioso lar, mas como observei verdade em seu pedido, vou abriga-lo em meu quarto de hospedes! Entre antes que você congele!
Aliviado, adentrei na residencia deste bom senhor e o acompanhei até o local onde eu passaria a noite. A casa era grande demais e parecia um labirinto.
Após ser acomodado e alimentado por uma de suas governantas, deixei o quarto em plena escuridão apagando todas as velas do ambiente e fechei as cortinas das janelas. Em leve adormecimento despertei em grande susto por conta dos muitos pesadelos repentinos. Coberto por pavor e suor, sai do quarto a procura de uma das governantas para beber um pouco d'água, mas não encontrei ninguém.
Quando pensei em voltar para o quarto ouvi vozes e choros. Então comecei a caminhar pelos corredores da casa para ver se encontrava alguém ou se ao menos eu descobria a origem dos choros. Desci algumas escadas e quando virei um dos corredores, deparei-me com uma cena estarrecedora e me escondi. O dono da casa e suas duas governantas mantinham em cárcere privado meninas de pouca idade. Após o grito de uma das meninas, uma das governantas olhou rapidamente na direção em que eu estava de uma maneira bem desconfiada. Era hora de eu tomar uma decisão.
Fiquei escondido por algum tempo e quando o dono da casa e suas governantas saíram, rapidamente me aproximei das celas em que elas (as meninas) estavam e pedi para que elas fizessem silêncio, mas a tentativa foi desastrosa. O dono da casa e suas governantas apareceram como num passe de mágica e me abordaram com irônicas declarações de que eu estava brincando com fogo.
Indignado argumentei firmemente sobre a gravidade da situação e tentei persuadi-los na entrega das meninas, mas isso os irritou profundamente e quando eles partiram em minha direção, a campainha tocou. Tocou várias vezes até que o dono da casa atendesse. Ele pediu que suas governantas ficassem de olho em mim.
Neste meio tempo observei que quem havia tocado a campainha eram policiais que averiguavam denúncias de choros e gritos de crianças, assim, tentei tirar as meninas das celas, mas as governantas tentaram me impedir e entramos em luta corporal. Elas não eram comuns, eram bem mais fortes que mulheres comuns. Durante a luta eu desacordei as governantas e como não consegui abrir os cadeados corri para o jardim e denunciei aquele homem para os policiais que já estavam indo embora.
Aquele homem era um monstro. Ele atacou os dois policiais e os despedaçou bem na minha frente. Eu abismado sem saber o que fazer entrei para a casa novamente e tentei distraí-lo para ganhar tempo e pensar em como eu poderia salvar as meninas, mas não teve jeito. Entrei em uma luta corporal com ele e sai bem ferido, fui lançado em uma sala de ferramentas e usei um machado para afasta-lo. Nunca vi um homem de idade tão avançada ter tanta força!
Ele sumiu por alguns instantes e então aproveitei a oportunidade para arrebentar os cadeados e libertar as crianças. Após a libertação das crianças ele apareceu novamente e diante de mim no jardim, começou a se transformar em um monstro maligno. Nunca vi algo assim.
Ele ficou com mais de três metros de altura enquanto quadrupede e ficou com mais de quatro metros de largura. Devia pesar bem mais de dez toneladas. Ele era feito de músculos, garras, dentes grandes e afiados, parecia um "Cão gigante".
Apavorado e vendo a gravidade da situação, olhei para a Lua cheia e busquei nela a força que precisava para fugir. Enquanto ele terminava sua transformação, aproveitei para correr e ganhar tempo, mas assim como ele, eu também comecei o meu processo de transformação e mesmo correndo como um quadrupede senti fortes dores, tive os meus membros estendidos e minhas vestes rasgadas e assim, não parei de correr, pois sabia que as minhas forças não superariam as dele.
Saltei muros, corri pelas ruas, subi em carros e saltei por entre árvores, mas foi por pouco tempo. Três quarteirões depois me deparei com o Cão frente a uma mansão abandonada farejando ao longe o meu cheiro, rapidamente deitei ao chão e fiquei a observa-lo. De repente saiu daquela mansão uma senhora muito idosa vestida com trapos e fez com que aquele monstro sentasse ao seu lado e gritou para ele:
- Encontre-o e mate-o!
Em seguida sumiu na mansão escura.
Em seguida sumiu na mansão escura.
Cansado de fugir e vendo que aquele monstro não desistiria até me encontrar, corri na direção dele e iniciamos uma luta feroz. Ele era muito superior a mim, sua força era sobrenatural, eu já estava muito ferido e percebi que se eu não fizesse algo logo ele me exterminaria. Ao lado da mansão abandonada havia uma outra mansão abandonada, e esta, nós destruímos com a nossa luta. Assim como em outros episódios busquei a calma, pois eu não tinha o mesmo tamanho dele, mas tinha grandes experiências a meu favor. Enfurecido com a grandiosidade do Cão, elevei o meu pensamento a força da Lua cheia e vi as minhas forças se tornarem superiores a dele em frações de segundos.
Pulei do auto de um prédio na direção dele, agarrei o seu focinho, rasguei a sua mandíbula e rasguei o duro couro dele com as garras e os dentes até perfurar o coração.
Ele se foi e jamais se viu outro ser como este ao longo dos séculos.
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